Após mudanças na política de dividendos, que agora estabelece a meta de distribuir pelo menos 40% dos lucros aos investidores, a distribuidora de combustíveis Vibra (VBBR3) pode pagar R$ 700 milhões a seus acionistas neste ano, estimam analistas do BTG Pactual.
Apesar de não oferecer uma estimativa sobre o montante a ser distribuído, analistas do Goldman Sachs apontam que a nova política indica que suas estimativas de payout (percentual mínimo do lucro líquido a ser pago em dividendos) — de 25% para 2022 e 35% para 2024 — deverão ser superadas.
E os benefícios da nova política vão além do aumento dos dividendos, na visão dos analistas. “Acreditamos que esta nova política traz mais visibilidade ao mercado sobre as políticas de retorno ao acionista da companhia”, dizem Bruno Amorim, Joao Frizo, Guilherme Costa Martins, analistas do Goldman, em relatório distribuído nesta segunda-feira (19).
Pedro Soares, Thiago Duarte e Bruno Lima, do BTG, concordam: “A nova política de dividendos deve ser bem recebida, reduzindo a percepção de risco ao aumentar a visibilidade do uso do caixa que adiciona retorno total aos acionistas, ao mesmo tempo em que sinaliza que a atual administração não prevê maiores investimentos/desembolsos de capital em projetos que vão além de seu negócio principal de distribuição de combustível.”
Além de estabelecer o payout de 40%, a nova política da Vibra determina que o valor a ser pago a cada ano será definido após a análise de fatores como capitalização, endividamento, liquidez, geração de caixa e investimentos. Caso a companhia não consiga bater sua meta de dividendos, a diferença deverá ser compensada no ano fiscal imediatamente seguinte.
Novo CEO
A Vibra também anunciou que, após a renúncia de Wilson Ferreira Júnior em julho, seu conselho de administração aprovou André Ferreira Natal como CEO interino. Atualmente, Natal ocupa o cargo de vice-presidente de finanças, compras e RI da empresa — posições que irá continuar a ocupar junto com a presidência.
A companhia também afirmou que continua com os procedimentos para eleger um novo CEO.
Nessa frente, analistas do BTG apontam que é importante que a definição de um novo líder ocorra em breve. “Acreditamos que a definição de um novo CEO é de extrema importância para uma empresa que possui controle pulverizado como a Vibra”, escrevem.
Ações
Depois do anúncio, tanto o Goldman Sachs quanto o BTG Pactual reiteraram suas recomendações de compra para a ação da Vibra, com preços-alvo de R$ 22,60 e R$ 28, respectivamente – o que corresponde a altas de 27% e 57% em relação ao valor do papel no fechamento de sexta-feira, de R$ 17,85.
“Vemos a companhia sendo negociada a um valuation atrativo, além de vermos potenciais riscos de upside tanto para as nossas estimativas quanto para as do consenso no segundo semestre de 2022”, afirma o Goldman.
“Depois de entregar uma reestruturação bem executada, aumentado rentabilidade e iniciando o processo de transição de energia, a nova política de dividendos da empresa mostra que a tese de investimento apresenta uma combinação rara de valor mais crescimento razoável”, completa o BTG.