Cisão do Grupo Éxito deve fazer GPA (PCAR3) perder escala na América Latina, diz Fitch

Empresa deixaria de operar um ativo que historicamente apresenta resultados operacionais mais consistentes que os do Brasil, afirma a Fitch

Foto: Shutterstock

A potencial cisão entre os ativos do Grupo Éxito e os do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) não é vista com bons olhos pela agência de classificação de risco Fitch Ratings. Em um relatório distribuído ao mercado nesta sexta-feira (9), os analistas da instituição acreditam que essa separação pode ter impactos negativos para o perfil de crédito do GPA.

Na visão de Renato Donatti e Gisele Paolino, a cisão implicaria uma “signitivativa perda de escala e diversificação geográfica em países como Colômbia, Uruguai e Argentina”.

“A empresa também deixaria de operar um ativo que historicamente apresenta resultados operacionais mais consistentes que os do Brasil e com menor alavancagem financeira, ainda que o desinvestimento recente dos hipermercados seja positivo para a operação local”, avalia a Fitch.

De fato, em uma análise dos resultados da empresa, a parte do Grupo Éxito performa melhor que o GPA. No segundo trimestre deste ano, por exemplo, a empresa teve um prejuízo líquido consolidado de R$ 172 milhões, revertendo o lucro de R$ 3 milhões anotado em igual período de 2021.

A operação brasileira do GPA teve um prejuízo de R$ 166 milhões no período, enquanto o Grupo Éxito rendeu um lucro de R$ 72 milhões. Além disso, dos R$ 10,11 bilhões de receita líquida de abril a junho, R$ 4,16 bilhões são das operações brasileiras e R$ 5,98 bilhões, do Éxito.

Se confirmada a transação, seriam distribuídas 83% das ações do Éxito que o GPA possui para seus atuais acionistas, de forma que o Pão de Açúcar mantivesse uma participação minoritária de 13%.

Em seu método avaliativo, a Fitch Ratings considera atualmente o GPA como AAA, ou seja, o de mais alta qualidade, além de acreditar numa perspectiva estável para o negócio.

“A classificação se se baseia na escala da companhia e em seu modelo multicanal, com marcas fortes e bem consolidadas. O perfil de negócios é favorecido com sua operação em outros países sul-americanos, por meio do Grupo Éxito, que contribui para a diversificação geográfica e a melhora das margens operacionais”, avalia a Fitch, no relatório.

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