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CEEE-G coloca CSN (CSNA3) a caminho da autossuficiência energética, mas valor preocupa

CEEE-G coloca CSN (CSNA3) a caminho da autossuficiência energética, mas valor preocupa

Ação figura entre as maiores quedas do Ibovespa, em baixa de 2,86%

Celular com logo da CSN

Foto: Shutterstock

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A aquisição de uma fatia de 66% na CEEE-G, companhia geradora de energia elétrica do Rio Grande do Sul, coloca a CSN (CSNA3) mais perto da autossuficiência energética e abre espaço para redução nos custos da siderúrgica. O valor da aquisição, porém, estimado entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,3 bilhões, pode trazer preocupações sobre como a CSN está investindo seu capital, segundo analistas.

A CEEE-G é responsável por 1,3 gigawatts (GW) de potência outorgada, com cinco hidrelétricas com capacidade total de 921 megawatts (MW) e 407 MW médios de energia firme. A companhia detém também fatias minoritárias em outros projetos, com potencial de capacidade adicional de cerca de 340 MW.

Em sua última reunião com investidores (investor day), a CSN declarou esperar que seu consumo de energia passe de 430 MW médios em 2020 para 840 MW médios até 2027, segundo o Bank of America. A companhia informou ainda que vem trabalhando para aumentar sua capacidade de geração e se tornar autossuficiente.

Com a compra da CEEE-G, diz o BofA, a CSN poderia adicionar até 395 MW médios em sua capacidade de geração.

“Com essa aquisição, combinada com duas aquisições de pequenas plantas hidrelétricas neste ano, a CSN deve estar bem-posicionada em seu caminho de se tornar autossuficiente em energia”, escrevem Caio Ribeiro, Arthur Pereira, Merrill Lynch, Leonardo Neratika, Gustavo Faria e Guilherme Rosito, analistas do banco, em relatório distribuído na manhã desta segunda-feira (1).

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Essa autossuficiência, na análise do BofA, pode gerar economias de custo, uma vez que a energia autoproduzida é isenta da cobrança de CDE/ESS (Conta de Desenvolvimento Energético e Encargos de Serviços do Sistema) – o que, nos cálculos do banco, pode resultar em uma economia de cerca de R$ 50/MWh.

Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza, Marcelo Furlan Palhares e Barbara Soares, analistas do Itaú BBA, concordam que a aquisição está alinhada a movimentos recentes da CSN no setor energético, mas levantam preocupações sobre a alocação de capital da companhia.

“Prevemos que os investidores terão preocupações sobre a estratégia de alocação de capital da CSN, pois acreditamos que os investidores provavelmente prefeririam retornos na forma de dividendos e/ou recompras”, afirmam, também em relatório desta segunda.

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Detalhes da aquisição

A Companhia Florestal, subsidiária da CSN, venceu o leilão de compra da CEEE-G realizado pelo governo gaúcho com uma oferta de R$ 928 milhões, valor 10,93% que o inicialmente cobrado. A empresa também deve pagar uma outorga de R$ 1,66 bilhão ao governo federal por um contrato de concessão de 30 anos.

Além disso, a CSN pode realizar uma oferta de aquisição pela fatia que a Eletrobras (ELET3;ELET6) detém no ativo pelo valor mínimo de R$ 375 milhões.

Assim, na estimativa do BofA, a transação deve custar até R$ 3,1 bilhões, enquanto o BBA projeta R$ 3,3 bilhões.

Depois da nova aquisição, tanto o BofA quanto o BBA reiteraram sua classificação neutra sobre a ação da CSN – ambos com preço-alvo de R$ 23, o que corresponde a alta de 56% em relação ao valor do papel no fechamento da última sexta-feira (29), de R$ 14,71.

Por volta das 13h55 desta segunda-feira, a ação da CSN era negociada em baixa de 2,92%, a R$ 14,28.

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