A reabertura econômica da China anima a BRF (BRFS3), que afirma que está preparada para um aumento da demanda vinda do gigante asiático, segundo Miguel Gularte, CEO da companhia, durante participação em evento do Credit Suisse, realizado na tarde desta terça-feira (31).
Segundo ele, a empresa recebeu os dados preliminares do país sobre o feriado prolongado do Ano Novo Lunar. Gularte ressaltou que os números sinalizaram um retorno do consumo e de trânsito de pessoas a um patamar pré-pandemia.
“Passado o auge da pandemia, as pessoas voltaram a viajar. O consumo nos restaurantes tem se estabilizado. Com esses dados vindos da China, é colocado um cenário com normalidade no food service, que é importante para o consumo do país”, afirmou o executivo.
De acordo com o CEO, a China é o principal foco das exportações da BRF. Ele ainda declarou que a empresa fez investimentos durante a pandemia e está preparada para abastecer o gigante asiático. “Estamos prontos para esse momento e vamos capitalizar as vantagens que temos com duas marcas ícones: Sadia e Perdigão”, finalizou.
O agronegócio brasileiro
Presente no evento, o CEO da Agroconsult, André Pessoa, deu um prognóstico animador para o agronegócio brasileiro ao avaliar que o preço dos insumos, que foram inflados com a guerra na Ucrânia, já está abaixando.
Para a soja, Pessoa projeta uma safra 23/24 recorde, algo na faixa dos 153 milhões de toneladas. “Uma safra boa, uma boa notícia para a turma de proteína. Uma sinalização positiva para o plantio do milho. Abril e maio já apontam chuva, diferentemente de anos anteriores. Eu garanto um recorde de produção de milho”.
Em relação às exportações, o CEO da Agroconsult diz que o milho pode permitir ao Brasil ultrapassar os Estados Unidos, com uma mudança significativa na safra 23/24, como custo de produção e insumos caindo e fertilizantes devolvendo altas.
No caso da BRF, esse alívio no preço de produção dos grãos deve aliviar os custos para criação de bois, frangos e suínos. “Vemos os [preços] dos insumos caindo. Além disso, a produtividade aumenta enquanto o custo do frete cai no mercado nacional e internacional”, diz Gularte.