Bolsas estrangeiras sobem em movimento de realização e guinada do petróleo; Ibovespa também avança

Nos EUA, existe ainda a expectativa pelos números do mercado de trabalho, que serão divulgados na sexta-feira (7)

Leandro Tavares

Leandro Tavares

Foto: Shutterstock/katjen

Assim como o Ibovespa, que opera em alta de quase 5% nesta segunda-feira (3) após a definição do segundo turno da eleição presidencial e a composição do Congresso, os mercados internacionais também sobem, mas em um movimento de realização depois das fortes quedas vistas em setembro.

No mês passado, o S&P 500, teve sua pior performance desde março de 2020, início da pandemia de Covid-19.

“Os investidores seguem em movimentos de aversão ao risco, influenciados por uma perspectiva cada vez mais contracionista dos bancos centrais e temores com um possível período recessivo”, avalia a XP, em relatório matinal publicado mais cedo.

Os preços do petróleo sobem mais de 4% e também dão impulso as bolsas americanas. Essa guinada se dá em meio a rumores de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) vai anunciar mais um corte na produção da commodity.

A Opep e países aliados, grupo conhecido como Opep+, havia anunciado em setembro um corte simbólico na produção, de 100 mil bpd (barris por dia).

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Além disso, o mercado americano aguarda os números do mercado de trabalho, que serão divulgados na sexta-feira (7). Caso o payroll informe um mercado de trabalho aquecido, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) pode continuar a aumentar a taxa de juros de forma mais acentuada nas próximas reuniões de política monetária.

Na Europa, assim como nos EUA, o risco de recessão global vem assombrando os mercados. O temor, inclusive, fez a Libra, moeda conhecida por ser mais forte que o dólar americano despencar nos últimos dias.

A libra já está em apuros há alguns meses, pressionada pela forte inflação no Reino Unido – que está perto de 10% ao ano – e pela lenta resposta do banco central britânico a este movimento.

Em setembro, o BCE (Banco Central Europeu) aumentou os juros em 0,50 p.p (ponto porcentual), mas havia a expectativa de que este aumento fosse mais intenso, de 0,75 p.p. A decisão foi vista como um sinal de tolerância do banco central à alta de preços, e acabou reforçando a tese de que levará tempo para a inflação desacelerar na Inglaterra.

Na prática, ao responder de forma mais frouxa que a esperada, o Banco da Inglaterra pode ter piorado a situação.

O outro fator que pesou sobre a libra foi o descontentamento dos investidores com o plano do governo britânico para lidar com a inflação elevada.

A proposta do governo prevê limites aos preços da energia – o que enseja um aumento dos gastos públicos e era esperado pelos investidores -, mas ao mesmo tempo também contém planos para reduzir impostos.

Além disso, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro foi revisado para 48,4 pontos, sendo a mínima dos últimos 27 meses, mostrando uma contração na atividade econômica do setor no continente.

Veja a performance dos principaís índices globais às 13h:

Ibovespa sobe no pós-eleição

O mercado brasileiro iniciou a semana de bom humor. No primeiro dia útil após as eleições, o Ibovespa opera praticamente com todos seus ativos em alta e avançava quase 5% às 13h, acima dos 115 mil pontos.

À exceção de alta era as educacionais Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3), que caem 4,08% e 2,04%, respectivamente, refletindo um cenário pessimista em caso de reeleição do presidente Jair Bolsonaro, no que tange aos financiamentos estudantis.

O resultado do pleito da véspera mexia com os ativos da B3. Na ponta positiva, a estatal de saneamento Sabesp (SBSP3) subia 15,15% e liderava as altas do pregão.

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No domingo, ficou decidido que o comando do governo de São Paulo, controlador da empresa, será disputado num segundo turno por Tarcísio Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT).

O resultado surpreendeu os eleitores. Freitas encerrou o primeiro turno com 42,32% dos votos e Haddad com 35,70% dos votos, resultado inverso ao das pesquisas prévias.

Victor Candido, economista-chefe da RPS Capital, destaca que o papel da empresa sobe após o resultado. Isso porque, agora, os investidores avaliam que há mais chance de privatização da empresa.

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