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Bolsa cai pressionada por mineradoras, que cedem após novos lockdowns na China

Bolsa cai pressionada por mineradoras, que cedem após novos lockdowns na China

O principal índice da Bolsa brasileira caía 0,36%, aos 107.973 pontos, com CSN, Usiminas, Gerdau e Vale dominando as quedas

Gráfico de ações

Foto: Shutterstock

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A caminho do quinto pregão consecutivo de queda, o Ibovespa cai nesta quinta-feira (9) pressionado principalmente por mineradoras e siderúrgicas, que refletem a notícia de mais lockdowns anunciados na China.

Às 13h35, o principal índice da Bolsa brasileira caía 0,36%, aos 107.973 pontos, com CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE4) dominando os recuos.

Veja as maiores quedas dentre as mineradoras e  siderúrgicas nesta tarde:

Empresa Ticker Queda às 13h35
CSN CSNA3 5%
Usiminas USIM5 3,58%
Gerdau GGBR4 4%
Vale VALE3 2,90%
Gerdau Metalurgia GOAU4 3,64%

Nesta quinta, Xangai, uma das principais cidades da China, anunciou que fechará um distrito de 2,7 milhões de pessoas para realizar testes em massa. Para Vinicius Augusto dos Santos, assessor de investimentos da SVN, esses “ruídos” na China têm soado e respingado com força na Bolsa brasileira. 

Esse movimento afeta essas empresas pois a China é um grande comprador de commodities metálicas, e a sinzalização faz o setor colocar um pé no freio nas exportações, o que acaba pesando nos papéis.

O preço da commodity também se desvaloriza no dia — na Bolsa de Dalian, a tonelada do minério de ferro teve baixa de 0,32% na comparação intradia, sendo negociado a 924,50 iuanes, o equivalente a US$ 138,56.

Além disso, Santos comenta que os mercados pelo mundo continuam a monitorar o avanço da inflação pelo mundo, que vem acompanhada pela taxa de juros. Na zona do euro, mais cedo, o Banco Central Europeu (BCE), apesar de não alterar as taxas, sinalizou altas em julho e em setembro.

Para ele, os mercados avaliam um risco de estagflação, jargão usado por economistas para definir cenários em a economia enfrenta uma recessão, mas mesmo assim a inflação se mantém alta por um longo período.

Arrefecimento na inflação mexe com altas do dia

Na ponta positiva, o setor de construção civil lidera as altas, impulsionado pelo resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio, que subiu 0,47% na comparação mensal, abaixo do esperado pelo mercado.

A maior alta do dia ficava por conta da MRV (MRVE3), que subia 4% nesta tarde. No restante do setor, Eztec (EZTC3) crescia 2,90%, JHSF (JHSF3) ganhava 2,31% e Cyrela (CYRE3) valorizava 2%.

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A construção civil, altamente dependente de crédito, é um dos mais impactados em tempos de juros altos, uma vez que limita o poder de compra da população como um todo, o que acaba desacelerando as vendas de empreendimentos, além de aumento dos custos das obras causado pela inflação.

Com isso, um sinal de arrefecimento na inflação pode beneficiar o setor. Além da construção, empresas expostas à economia doméstica, que também são sensíveis à inflação e aos juros, sobem no dia. Pão de Açúcar (PCAR3) crescia 3,57%, Localiza (RENT3) ganhava 2,21% e Yduqs (YDUQ3) apontava em 2,08% para cima, por exemplo.

“Com esse IPCA abaixo das expectativas, era quase como certo uma alta na Bolsa neste dia, mas as incertezas na China pesam por aqui”, avalia Santos, da SVN. 

Foco na Eletrobras

Outra empresa que figura na ponta positiva é a Eletrobras, que via os papéis ordinários (ELET3) crescerem 3,75% e os preferenciais (ELET6) subirem 3,46%. Nesta quinta, ocorre a precificação da oferta de ações da Eletrobras, no processo de capitalização, que se aproxima de R$ 70 bilhões, segundo fontes ouvidas pela Reuters, o que representa um valor duas vezes maior que o projetado anteriormente.

Bolsas internacionais

No exterior, o movimento também é de queda nos principais índices acionários dos Estados Unidos e Europa. Enquanto que no Velho Continente os investidores repercutem a decisão de política monetária do BCE, nos EUA o mercado aguarda os dados da inflação ao consumidor, que serão divulgados na sexta-feira (10).

Em Wall Street, Dow Jones recuava 0,41%, S&P 500 perdia 0,52% e Nasdaq caía 0,60%. Na Europa, já perto do fechamento, o Euro Stoxx 50 perdia 1,36%, o DAX desvalorizava 1,71% e o FTSE 100 apontava em 1,54% para baixo.

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