Após permanecer fechada na quinta-feira (21), a Bolsa brasileira opera em baixa nesta sexta-feira (22). O movimento por aqui é influenciado pelo clima negativo no exterior, onde os principais índices acionários recuam após o presidente do banco central americano, Jerome Powell, ter sinalizado ontem que os juros nos Estados Unidos devem subir mais rapidamente.
Já havia expectativa de que a bolsa brasileira caísse hoje – na quinta-feira (21), os recibos de ações do Brasil negociados nos EUA haviam recuado por causa das declarações de Powell.
Para Marcelo Oliveira, CFA e fundador da Quantzed, este movimento abriu espaço para um gap de alta no dólar e uma baixa nas ações da bolsa por aqui.
Às 13h05, o Ibovespa tinha queda de 2,15%, operando aos 111.879 pontos, e via quase todas suas ações caírem no pregão. Enquanto isso, o dólar comercial subia 3,01% no mercado futuro, para algo perto de R$ 4,77, segundo dados da Plataforma TradeMap.
No horário, a maior queda ficava com a CSN (CSNA3), que recuava 6,42%, sendo seguida por Bradespar (BRAP4), caindo 4,94% e Vale (VALE3), que apontava em 4,31% para baixo. O ADR da CSN, vale ressaltar, foi o que mais caiu na bolsa de Nova York (NYSE) na quinta, com uma perda de 7,41%.
O setor de mineração caía em bloco, e acompanhava a notícia de uma possível desaceleração econômica da China, país que importa muitas matérias-primas para impulsionar seu desenvolvimento.
“Com esse movimento chinês, o mundo como um todo tende a crescer menos, e com isso, os mercados precisam ‘reprecificar’ as ações“, avalia Marcelo Oliveira.


A queda do setor também é acompanhada por um recuo no preço do minério de ferro na bolsa de Dalian, que fechou a sessão da manhã em queda.
A commodity teve uma desvalorização de 2,4%, sendo negociada por 881 iuanes por tonelada, o equivalente a US$ 136. Desde segunda, a queda é de 2,6%, sendo a primeira semana com perdas nos últimos dois meses.
Para a chefe de economia da Rico Investimentos, Rachel de Sá, esse sinal da China juntamente com a nova onda de lockdowns no país pode prejudicar a onda positiva de commodities surfada nos últimos meses por aqui. “Seguiremos vivendo um ano desafiador, marcado por preços mais altos e crescimento mais baixo”, acrescenta.
Além da Vale, que ajuda a pressionar o índice pelo seu peso de cerca de 15% no Ibovespa, a Petrobras via suas ações ordinárias (PETR3) e as preferenciais (PETR4), que juntas correspondem a 10% do índice, caírem 3,56% e 2,89%, respectivamente.
Dentre as poucas altas do dia, os destaques ficavam com Hypera (HYPE3 +1,27%), Copel (CPEL6 +1,22%) e Azul (AZUL4 +0,83%).
A fala de Powell que derrubou os mercados
Durante painel da reunião anual de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional), o presidente do Federal Reserve afirmou que é absolutamente fundamental garantir a estabilidade de preços e que, na sua visão, é apropriado que o órgão aja em ritmo “um pouco mais rápido”.
Ele ainda frisou que, em meio às fortes pressões inflacionárias causadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia, uma alta de 0,50 ponto porcentual é uma opção na próxima reunião do Fomc (comitê de política monetária do Fed), em maio.
Ao mesmo tempo, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, sinalizou que o comitê discute a possibilidade de subir em 0,75 ponto já na próxima reunião.
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Essa movimentação é uma resposta à crescente ameaça de inflação global, que foi acentuada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Esse cenário tende a afetar o mercado brasileiro porque juros mais elevados nos EUA reduzem a atratividade de investimentos mais arriscados, como os ativos de países emergentes como o Brasil.
Nessa sexta, os principais índices acionários em Wall Street caíam novamente após perdas da quinta. Dow Jones recuava 1,79%, S&P 500 perdia 1,83% e o Nasdaq Composto apontava em 1,67% para baixo.
Na Europa, o movimento também era negativo, com o índice Euro Stoxx 50, que reúne empresas de todo o continente, desvalorizando 1,61% no mesmo horário. Enquanto isso, na Inglaterra o FTSE 100 caía 1,14%, e na Alemanha, o DAX perdia 2,16%.