Mercados iniciam mês no campo positivo; agenda econômica segue carregada

No Brasil, as atenções seguem com os resultados corporativos em evidência, mas tudo indica que a volatilidade continua, com o retorno do recesso dos parlamentares e a volta das apreciações dos depoimentos na CPI da Covid

Agosto iniciou com os mercados globais mais positivos, após um final de julho mais tenso. Esta semana reserva importantes indicadores, tanto interno quanto externo, como o relatório sobre o emprego nos Estados Unidos e a decisão da taxa de juros brasileira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, com o mercado acalmando, em parte, o nervosismo sobre a repressão da China em algumas empresas dos setores como as de tecnologia e de educação privada.

Na agenda de indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria chinesa, medido pela Caixin Media e pela IHS Markit, caiu de 51,3 em junho a 50,3 em julho, na mínima em 16 meses, mas ainda acima da marca de 50, o que indica expansão nessa pesquisa. A queda foi refletida pelo ressurgimento das infecções do coronavírus e blecautes de energia em algumas cidades.

As bolsas europeias abriram em alta. O indicador de atividade manufatureira na zona do euro continuou a crescer a um ritmo forte em julho, uma vez que a reabertura da economia levou ao aumento da demanda. Por outro lado, gargalos de oferta elevaram os preços dos insumos, de acordo com o PMI.

O PMI final para a indústria caiu a 62,8 em julho, de uma máxima recorde em junho de 63,4. No entanto, o indicador veio acima da projeção de mercado, que esperava por 62,6.

Na Alemanha, o PMI industrial avançou de 65,1 em junho a 65,9 em julho. O crescimento dos componentes de novas encomendas e emprego ampararam os ganhos, no segundo mês consecutivo de alta do índice no país.

As vendas no varejo do país cresceram 4,2% em junho, na comparação com maio e após ajustes sazonais, segundo a agência oficial de estatísticas alemã, Destatis.

Ainda na Europa, a agenda da semana reserva reunião do Banco da Inglaterra na quinta-feira, com expectativa que mantenha o atual ritmo do estímulo econômico, apesar de algumas divergências entre os dirigentes em relação à dimensão do seu programa de compra de títulos.

Os futuros americanos vêm em alta, com os investidores acompanhando a divulgação dos resultados corporativos e atentos a qualquer catalisador que possa indicar os próximos passos do Federal Reserve (banco central dos EUA) em seu programa de compra de títulos.

Outro ponto de atenção em terras americanas é o pacote de infraestrutura que se aproxima da aprovação no Senado nesta semana.

O calendário econômico ainda inclui os PMIs nos EUA, além dos dados do relatório semanal sobre pedidos iniciais de auxílio-desemprego e do relatório sobre o emprego no país, programado para ser divulgado na sexta-feira, o que fornecerá novas pistas sobre a força da recuperação econômica.

No Brasil, as atenções seguem com os resultados corporativos em evidência, mas tudo indica que a volatilidade continua, com o retorno do recesso dos parlamentares e a volta das apreciações dos depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

Além disso, as preocupações no campo político ganham força. O presidente Jair Bolsonaro, que continua insistindo pelo voto impresso, defendeu a manutenção do auxílio-emergencial, caso a pandemia continue a restringir o funcionamento de comércio e serviços, mesmo com o avanço da vacinação.

O ministro Paulo Guedes desafia o mercado com nova tentativa de calote nos precatórios e sem grande força para defender o teto de gastos, gerando grande preocupação.

A semana também traz a agenda econômica bastante carrega, com os dados do PMI industrial de junho, da balança comercial de julho e do Boletim Focus.

Amanhã será a vez da inflação de julho, mensurada pelo IPC-Fipe, e a produção industrial de junho. Enquanto na quinta-feira tem o Copom, que apresentará a taxa básica de juros. As projeções de mercado apontam para um aumento de 1 ponto percentual, saindo de 4,25% para 5,25%, elevando a magnitude de alta antes em 0,75 ponto percentual, devido à inflação persistentemente mais alta que o esperado pela autoridade monetária.

Foto: Unsplash

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