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Bitcoin a US$ 30 mil? Veja os impactos da alta dos juros nos EUA nas criptomoedas

Bitcoin a US$ 30 mil? Veja os impactos da alta dos juros nos EUA nas criptomoedas

Movimento do Fed deve mudar fluxo dos mercados e afastar investidores de ativos de risco; analistas apontam oportunidades de ganhos.

Moedas de Bitcoin sob cédulas de US$ 100

Foto: Shutterstock

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O aumento dos juros nos Estados Unidos deve mexer (e já está mexendo) com os fluxos de investimentos, sobretudo para a renda variável, e as criptomoedas não ficarão de fora.

Analistas dão como certo que, na quarta-feira (4), o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) aumentará em 0,5 ponto percentual os juros americanos, elevando a taxa para a faixa de 0,75% e 1% ao ano.

Esse cenário já tem sido assimilado pelos mercados desde a semana passada e foi um dos fatores que dificultou a permanência do Bitcoin (BTC) acima da faixa de US$ 40 mil.

A atenção dos investidores ficará no tom que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dará para o anúncio. Caso o recado seja mais duro, postura vista como necessária por parte dos analistas diante de uma inflação que insiste em ficar no maior patamar em quarenta anos, o impacto será forte.

Neste caso, visões mais pessimistas apontam para um mergulho do BTC para a linha de US$ 30 mil — o nível mais baixo desde setembro de 2021 —, dragando junto todo o mercado de criptomoedas.

A principal criptomoeda se descola do movimento de recuperação dos mercados globais e opera nesta terça-feira (3) no campo negativo. Por volta das 15h10 (de Brasília), o BTC registrava queda de 0,63%, a US$ 38.054, segundo dados da Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap. O Ethereum (ETH), segundo maior ativo do mercado cripto, tinha alta de 0,16%, enquanto a Terra (LUNA), subia 2,02%, conforme informações da CoinDesk.

Fuga do risco

A perspectiva de juros mais altos nos EUA pesou no final do mês passado sobre os mercados de ações, de commodities e de ativos considerados de alto risco, como é o caso das criptomoedas. Isso aconteceu por dois motivos.

De um lado, os juros mais altos aumentam a remuneração que o investidor recebe ao aplicar nos títulos do Tesouro americano. De outro, a falta de perspectiva de um desfecho no curto prazo para o conflito no Leste da Europa e o repique de casos de Covid-19 na China aumentam a busca por investimentos com retorno mais garantido – e os títulos da dívida dos EUA são a referência do mercado neste caso.

Para os criptoativos, porém, o movimento de correção visto nas bolsas internacionais em abril pode ser especialmente mais forte.

Parte disso deve-se à amplitude deste mercado. As moedas digitais, somadas, equivalem a aproximadamente US$ 1 trilhão, segundo dados do site CoinMarketCap. Para fins de comparação, o mercado mundial de ações terminou 2021 em cerca de US$ 95 trilhões, segundo levantamento da Apollo Global Management. 

O mercado relativamente pequeno e a facilidade para a entrada e saída de investidores, somados à falta de regulamentações, abre espaço para que o valor das moedas digitais sofra variações mais bruscas.

Para Ayron Ferreira, head researcher da Titanium Asset, a queda mais brusca do BTC para patamares de US$ 30 mil deve durar enquanto o mercado não tiver mais clareza dos próximos passos do Fed na escalada dos juros — algo previsto para o curto prazo.

Após esse período de acomodação, a tendência é de alta para a moeda, mas a cotação pode novamente esbarrar no atual suporte de US$ 40 mil, por causa das incertezas que perdurarão no cenário internacional, como a resposta da inflação ao aumento dos juros. “Essa questão da inflação não vai ser consertada de uma hora para a outra”, diz.

Este quadro, chamado de lateralização, deve dar o tom até meados do próximo semestre. “O movimento vai seguir até o mercado encontrar uma inflação condizente com o que é preciso ajustar. Isso pode demorar o ano todo e deve ser o principal tema de macroeconomia para acompanhar”, afirma.

Além da questão monetária, os rumos do confronto na guerra da Ucrânia e os efeitos que as atuais medidas de restrição terão na atividade econômica na China deverão alimentar o clima de incerteza em todo o mercado financeiro pelos próximos meses, incluindo os criptoativos.

No médio prazo, perspectiva para moedas digitais é melhor

Se no horizonte de curto prazo as perspectivas não são animadores, investidores podem encontrar algum conforto olhando para trás. Usando um consolidado dos últimos anos, Humberto Andrade, analista de trading da Mercado Bitcoin, cita o histórico de resultados positivos para moedas digitais no mês de maio, principalmente após o forte movimento de correção em abril, com queda de 16,7% no BTC.

“Maio tem um histórico de meses muito melhores do que ruins. Abril foi basicamente uma correção da alta registrada em março”, afirma o analista.

Segundo dados da Mercado Bitcoin, desde 2011, o BTC registrou sete valorizações no mês de maio, contra quatro meses com fechamentos em queda. “Não quer dizer que esse será igual aos outros, mas numa perspectiva de análise, todos os dados contam”, diz Andrade.

O otimismo é impulsionado pela série de notícias positivas para o mercado digital nas últimas semanas, como a compra do Twitter pelo bilionário Elon Musk — que fez disparar o valor da Dogecoin (DOGE), o avanço de regulamentações e a maior adesão de grandes players no mercado de criptoativos, como o anúncio do Goldman Sachs sobre ter aprovado o primeiro empréstimo com garantia em BTC.

O movimento, diz, pode fazer com que o Bitcoin bata até os US$ 50 mil nos próximos dias. “Podemos esperar tentativas de novos patamares de resistência acima de US$ 50 mil no candle diário”, afirma. Caso o cenário não se concretize, o analista também afirma que não vê muitas chances para a cotação descer para muito além do que está agora. “Tem que ter um cenário de estresse muito grande, e os indicadores não mostram algo nessa direção”, diz.

Oportunidades de lucro no longo prazo

Com otimismo mais contido, Ferreira, da Titanium, aponta para o potencial de valorização das criptomoedas no longo prazo diante do constante crescimento do mercado e dos investimentos em melhores infraestruturas dos sistemas. Segundo o analista, a queda no curto prazo pode ser tornar uma janela de ganhos. “Para o investidor, é interessante quando um ativo tem uma queda acentuada por ser uma oportunidade de posicionamento de carteira”.

“A atual estrutura de mercado do Bitcoin permanece em um equilíbrio extremamente delicado, com ação de preço de curto prazo e lucratividade da rede inclinando-se para baixa, enquanto as tendências de longo prazo permanecem construtivas”, reforça a Glassnode.

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