Apesar de a BB Seguridade (BBSE3) esperar um aumento no número de sinistros, especialmente no segmento rural, a expectativa da equipe de analistas do Goldman Sachs é que isso tenha sido compensado por resultados financeiros melhores, o que deve ter favorecido o desempenho da companhia no primeiro trimestre deste ano.
De acordo com relatório distribuído nesta sexta-feira (22), o banco projeta o lucro da BB Seguridade no primeiro trimestre em R$ 1,2 bilhão, o que corresponde a alta de 28% na comparação com o mesmo período de 2021, mas uma queda de 5% contra o quarto trimestre do ano passado.
A projeção feita pelo Goldman representa um corte de 2% em relação à expectativa anterior da instituição financeira. “A leve redução nas estimativas de lucro se deve principalmente a premissas mais conservadoras para a taxa de sinistros e a resultados financeiros levemente menores”, diz o relatório.
O aumento esperado nos sinistros vem principalmente do segmento rural, reflexo da falta de chuvas na região Sul do país, que afetou a produção. A partir do segundo trimestre, a expectativa do Goldman é que as condições climáticas, que começaram a melhorar em março, sigam em tendência positiva.
Apesar disso, os analistas mantêm a avaliação de que a BB Seguridade deva se beneficiar da taxa Selic elevada e da menor diferença entre os índices de inflação IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) e IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o que é positivo para seus resultados financeiros, e deve seguir reduzida nos próximos trimestres.
O descasamento entre os dois índices de inflação costuma prejudicar os resultados das seguradoras, uma vez que, enquanto os seguros são corrigidos pelo IGP-M, os ativos das companhias costumam ser atrelados ao IPCA.
O banco também prevê um bom crescimento da receita dos segmentos de seguros e previdência.
Para o acumulado do ano, as projeções do banco para a companhia são de lucro líquido de R$ 5 bilhões, o que representa alta de 28% em relação a 2021, e resultado financeiro de R$ 1,3 bilhão. Para 2023, a expectativa é de lucros de R$ 6,5 bilhões, e para 2024, de R$ 6,1 bilhões.
Mesmo com alguma redução nas projeções, os analistas do Goldman mantêm a recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 30, o que corresponde a alta de 12% em relação ao valor do fechamento de quarta-feira (20), de R$ 26,76. Apesar de acumular valorização de 34% desde o início do ano, o papel segue barato e abaixo da média histórica, ressalta o banco.
Parte do mercado parece concordar com o otimismo do Goldman De acordo com dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, nove das 14 instituições financeiras consultadas recomendam a compra da ação, enquanto as outras cinco indicam a manutenção do papel em carteira. A mediana de preços-alvo dos analistas é de R$ 30.

No curto prazo, a além da alta nos sinistros, principalmente no segmento rural, e a diferença sequencialmente elevada entre o IGP-M e o IPCA, outros riscos apontados pelo banco são o aumento na regulação do setor e pagamentos menores a acionistas caso a companhia decida preservar capital.