Pela quinta vez consecutiva, os bancos consultados pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) na Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas elevaram suas projeções para a expansão de suas carteiras de crédito neste ano, passando a esperar, em média, um crescimento de 11,4%.
De acordo com a pesquisa, publicada nesta terça-feira (23), a revisão se deve principalmente ao desempenho esperado do segmento de carteira com recursos livres. Na edição anterior da pesquisa, realizada em junho, a projeção era de um crescimento total de 10,4% nas carteiras.
Ainda de acordo com a pesquisa, a maior parte dos bancos espera que o ritmo de expansão das carteiras tenha desaceleração gradual nos próximos meses, mas se mantenha elevado.
Outro ponto de destaque, segundo a Febraban, são as expectativas de inadimplência, que passaram de 4% na última pesquisa para 3,8% agora – o que ainda representa uma alta em relação aos patamares atuais, mas sinaliza não haver grandes preocupações com o tema.
De acordo com a Febraban, outros pontos por trás do maior otimismo são os dados de atividade econômica e os efeitos esperados de algumas medidas de estímulo implantadas recentemente pelo governo, como a ampliação das margens do empréstimo consignado.
“Mesmo se esperando um ano difícil, em razão de incertezas do cenário interno e externo, as expectativas para a expansão da carteira de crédito têm crescido a cada pesquisa. Avaliamos que os resultados favoráveis se devem à continuidade do processo de normalização da atividade econômica e às surpresas positivas no desempenho da economia neste processo de retomada”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
Para 2023, a média das projeções para a expansão da carteira ficou praticamente estável, passando de 7% para 6,9%, com a leve queda explicada pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados por boa parte do ano e pela redução das projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) do ano que vem.
Em se tratando de taxa Selic, a pesquisa revela que 60% dos bancos consultados entende como adequada a sinalização do fim do ciclo de alta das taxas de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Agora, 55% esperam que a Selic feche 2022 a 13,75% ao ano e que a taxa comece a cair no segundo trimestre de 2023.
Já em termos de PIB, 55% dos entrevistados esperam desaceleração gradual no segundo semestre, com o PIB de 2022 ficando entre 1,5% e 2%, enquanto os demais 45% esperam um crescimento acima de 2% no ano.
O dólar, por sua vez, deve se manter entre R$ 5,20 e R$ 5,25 até o fim do ano, na visão dos bancos consultados.
Para a elaboração da pesquisa, a Febraban consultou as expectativas de 20 bancos entre os dias 10 e 16 de agosto.