A B3 (B3SA3) começou o ano atingindo a marca de 5 milhões de investidores pessoas físicas nos produtos de renda variável, segundo divulgou nesta sexta-feira (4). Considerando apenas o número de CPFs, o total é de 4,2 milhões — um mesmo investidor pode ter conta em diferentes corretoras, o que explica a diferença.
Os dados consolidados de 2021 mostram que, ao fim de dezembro, a Bolsa brasileira tinha 4,98 milhões de contas de pessoas físicas, o que representa um salto de 54% na comparação com dezembro de 2020.
Esse número também finalmente se aproxima das projeções feitas em 2010 pela antiga BM&FBovespa, que deu origem à B3 após a fusão com a Cetip.
Naquela época, a Bolsa contava com pouco menos de 600 mil investidores. O então presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, traçou a projeção de 5 milhões de investidores até 2014, que depois foi adiada para 2016. Demorou um pouco mais que o esperado, mas os aportes em ações de fato começaram a entrar mais no planejamento do investidor brasileiro, em meio à queda dos juros no Brasil.
Só em 2021, a Bolsa ganhou 1,5 milhão de investidores – ante 2,7 milhões em 2020 – com aplicações nos produtos de renda variável. Esse segmento engloba o mercado à vista de ações, que concentra a maior parte dos investidores, além das negociações de cotas de fundos de investimento imobiliários (FIIs), fundos de índices (ETFs) e recibos de ações de empresas estrangeiras negociados no Brasil, os BDRs.
“Conforme a pessoa física vai conhecendo o mercado e entendendo como ele pode ajudar a atingir cada um de seus objetivos, ela se sente mais confiante para continuar realizando investimentos e de forma mais diversificada”, explicou, em nota, Felipe Paiva, diretor de Relacionamento da B3.
Queda do valor aplicado pelo investidor na B3
E enquanto o número de pessoas na Bolsa sobe, o valor médio da aplicação e dos aportes iniciais estão em queda. O saldo mediano investido em renda variável ficou em R$ 3 mil em dezembro de 2021, um recuo de 70% na comparação com 2020.
Considerando apenas o mercado de ações, o recuo foi de 50%, para R$ 4 mil.
Também caiu o valor do aporte inicial do investidor na renda variável. Em dezembro de 2021, era de apenas R$ 44, ante quase R$ 1,5 mil um ano antes. Esses valores estão em baixa ano a ano — em 2015, era de R$ 4,6 mil.
Ainda de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pela B3, esse universo de investidores possuía ao fim de 2021 um patrimônio na Bolsa de R$ 501 bilhões, aumento de 9% na em relação ao mesmo mês de 2020.
A B3 conta ainda com 10,1 milhões de CPFs com aplicações em renda fixa, um crescimento de 17% em 2021 na comparação com 2020. O saldo médio aplicado por essas pessoas é de R$ 8,4 mil, um recuo de 11% em um ano. Esses investimentos em títulos de renda fixa somavam ao fim de dezembro R$ 1,046 trilhão, crescimento de 24% em 12 meses.