O mercado repercute nesta quinta-feira (8) o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que ontem manteve os juros básicos em 13,75% ao ano, mas mandou um recado aos investidores, e a aprovação da PEC da Transição, pelo Senado.
A decisão do Copom veio em linha com o esperado pelos especialistas, com o grupo mantendo a taxa de juros intacta, mas mantendo em aberto a possibilidade de os juros subirem de novo.
Nas palavras do colegiado, “os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e [o Copom] não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”. Ou seja, se a inflação parar de desacelerar, podem vir mais altas de juros em 2023.
O mercado já esperava algum recado deste tipo por parte do Banco Central, principalmente porque avança no Congresso o plano do governo de transição de ampliar as despesas do governo federal.
O aumento dos gastos públicos dificulta o combate à inflação porque estimula a demanda – e consequentemente a alta de preços. O objetivo do Copom ao aumentar os juros é fazer justamente o contrário: reduzir a demanda na expectativa de que isso evite alta de preços.
Ontem, porém, o Senado aprovou uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que aumenta por dois anos o valor do teto de gastos em R$ 145 bilhões para acomodar despesas com o Auxílio Brasil. Além disso, o texto também desobriga algumas despesas de respeitarem esta regra do teto- que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação.
O texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados antes de ser promulgado. A votação está prevista para a próxima quarta-feira (14), e é provável que a proposta seja aprovada da forma como está, dado que houve acordo político para que o texto recebesse sinal verde do Congresso.
Vale ressaltar que, até o momento, a estimativa é de que o volume de despesas extras em 2023 chegue a R$ 168 bilhões – incluídos neste montante o aumento no teto de gastos referente ao Auxílio Brasil mais as despesas que deixarão de respeitar o teto.
Antes, a estimativa era de que o gasto adicional ficasse perto de R$ 200 bilhões.
Os investidores também devem reagir nesta quinta-feira ao comportamento do varejo em outubro, com a divulgação da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) pelo IBGE, e a divulgação de números atualizados de pedidos de auxílio desemprego nos EUA.
Comércio em outubro
Às 9h, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio de outubro, levantamento que ajudará os investidores a determinarem o ritmo da atividade econômica no início do quarto trimestre.
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Auxílio-desemprego nos EUA
Lá fora, os investidores estarão de olho no número atualizado dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que serão informados às 10h30 pelo DoL (Departamento de Trabalho dos EUA.
As bolsas americanas vêm reagindo mal a indicadores que mostram um desempenho melhor do que o esperado da atividade econômica da maior economia do mundo. O temor é que o Federal Reserve, banco central dos EUA, seja forçado a prologar o ciclo de aumento de juros para conter a inflação.
Por volta das 8h25, os contratos futuros dos principais índices americanos operavam quase estáveis. O Dow Jones recuava 0,03%, o S&P 500 tinha alta de 0,05% e o Nasdaq-100 subia 0,08%.