O Itaú BBA iniciou a cobertura da Auren Energia (AURE3) com recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações da companhia e preço-alvo de R$ 19,60 ao fim de 2023. A avaliação é baseada numa expectativa de forte geração de fluxo de caixa nos próximos anos e de redução em índices de endividamento, o que pode levar a altos pagamentos de dividendos.
A Auren foi criada no começo deste ano, a partir da fusão dos ativos da Cesp, dos ativos de geração eólica da VTRM e das usinas hidrelétricas da Votorantim Energia.
Em relatório distribuído nesta sexta-feira (19), os analistas Marcelo Sá, Fillipe Andrade, Luiza Candiota e Karoline Correia afirmam que, entre as empresas do setor elétrico, a Auren é uma das mais bem posicionadas para capturar as oportunidades criadas pela abertura do mercado livre de energia, já que a companhia possui um portfólio diversificado de energias renováveis.
“Com a adição de ativos eólicos e solares nos próximos anos, esperamos que a Auren reduza a volatilidade de geração de seu portfólio”, diz o BBA.
Para o banco, a energia de fonte complementar (eólica e solar) pode ajudar a elétrica a reduzir o prêmio de sazonalidade dos contratos, uma vez que diminui a dependência de uma única fonte e torna a curva de geração muito mais achatada.
Atualmente, a Auren possui capacidade instalada de 2.911 MW (megawatts) e deverá atingir 3.802 MW até 2024, após a entrada em operação dos projetos Jaíba V e do híbrido Sol do Piauí.
Nas contas do Itaú BBA, o projeto Jaíba (500 MW) tem uma taxa de retorno estimada de 12,8% ao ano, com um VPL (valor presente líquido) de R$ 510 milhões, assumindo um capex por MW de R$ 3,2 milhões, a um preço de energia de longo prazo de R$ 190 por MWh (megawatt-hora).
Para o Sol do Piauí (48 MW), o banco prevê uma taxa de retorno menor, de 7,3%, principalmente devido ao alto capex do projeto, o que provavelmente compensará o impacto positivo de ter custos de transmissão (ligação do projeto) quase zero.
Além das questões operacionais, o Itaú BBA diz que a Auren está bem capitalizada para crescer, já que possui uma posição de caixa de R$ 3,348 bilhões e dívida líquida equivalente a 1,8 vez o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
“Esperamos que a alavancagem aumente nos próximos trimestres, em função do capex dos projetos Jaíba V e Sol do Piauí, antes de atingir um pico de 2,0 vezes o Ebitda no fim de 2022, ainda um nível muito confortável”, explicam os analistas
Dividendos
Na visão do banco, a Auren tomará decisões racionais de alocação de capital, buscando o crescimento apenas se isso criar valor e gerar forte distribuição de dividendos aos acionistas.
Pelas estimativas do BBA, a empresa deve pagar 50% do resultado em 2023, ou seja, um rendimento médio, dado o alto capex esperado para os próximos dois anos.
A partir de 2024, porém, a Auren deve elevar esse pagamento para 100%, o que aumenta o rendimento de dividendos para 8% no médio prazo e para 10% no longo prazo.
Por volta de 16h25, o papel ordinário caía 1,40%, a R$ 14,10, mas recuava menos que o Ibovespa, principal índice da B3, que operava em baixa de 2,32%.