Aumento de capital do Fleury (FLRY3) já era esperado, diz BTG; mas ação cai 1,2%

Operação não era necessária, mas pode destravar valor, afirma o banco

Foto: Shutterstock/Jo Galvao

O aumento de capital anunciado pelo Fleury (FLRY3) na manhã desta segunda-feira (17), por meio da emissão de até 70,5 milhões de novas ações, já era esperado pelo mercado, devido a sinalizações da companhia após o anúncio de fusão com a Hermes Pardini (PARD3), afirma o BTG Pactual.

Ainda assim, os papéis da operadora de hospitais figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa, com recuo de 1,19% por volta das 12h, cotadas a R$ 18,25.

Na avaliação de Samuel Alvez, Yan Cesquim e Pedro Lima, analistas do BTG, a operação, que tem como objetivo diminuir o endividamento da companhia resultante da fusão das duas operadoras de saúde, não era necessária.

Na estimativa do banco, o somatório das dívidas da nova empresa corresponderia a cerca de 2 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Com o aumento de capital, a projeção de alavancagem passa para cerca de 1,2 vez.

“Ainda que vejamos com bons olhos a fusão com o Pardini, desde o início nunca achamos que um aumento de capital era necessário. [Muitas companhias que cobrimos estão acima de 2 vezes o Ebitda.]”, escrevem os analistas, em relatório distribuído hoje.

Os analistas ressaltam, porém, que desde o anúncio da fusão o Fleury já anunciou uma série de pequenas aquisições, indicando que essa agenda segue praticamente intacta. A continuidade da estratégia de crescimento inorgânica (por meio de fusões e aquisições) e dos planos de expansão orgânica da companhia também são objetivos do aumento de capital.

Veja detalhes:
Fleury (FLRY3) vai vender novas ações com desconto para captar até R$ 1,2 bilhão

Assim, a avaliação do BTG é que, a depender da disciplina na alocação de capital e da captura de sinergias da fusão com o Pardini, esse aumento de capital pode jogar a favor da tese de investimento da companhia.

Bom negócio para o acionista

De antemão, analistas da Genial Investimentos acreditam que a operação pode ser um bom negócio para os acionistas do Fleury.

A oferta de novas ações deverá captar no mínimo R$ 602 milhões e no máximo R$ 1,2 bilhão. Os novos papéis serão vendidos a R$ 17,27 cada, o que representa um desconto de 6,5% em relação à cotação do fechamento de sexta-feira (14).

De acordo com o fato relevante publicado pelo Fleury, os investidores que já possuem posições nos papéis terão direito de preferência para subscrever papéis na proporção de 0,22 nova ação ordinária para cada 1 (uma) ação de que forem titulares.

“As novas ações serão subscritas a um preço de R$ 17,27, um desconto de 6,94% sobre o preço de fechamento do último pregão e de 23,06% do nosso preço-alvo para o papel, qualificando uma boa operação para o acionista de Fleury”, afirma a Genial, em comentários ao mercado nesta segunda-feira.

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