Os investidores acompanham nesta terça-feira (8) a divulgação, logo mais às 8h, da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que na semana passada elevou a taxa básica, a Selic, em 0,50 ponto, a 13,75% ao ano.
No comunicado da decisão, o colegiado deixou a porta “entreaberta” para um novo aumento na próxima reunião, em setembro, indicando que irá avaliar a necessidade de um aperto final nos juros.
A comunicação foi encarada pelo mercado quase como um encerramento de fato do atual ciclo de aperto monetário, mas muitos economistas acreditam que o BC será forçado a subir a Selic em pelo menos mais 0,25 ponto.
Isso porque as expectativas para a inflação de 2023 estão acima do teto da meta para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do ano que vem, que é de 3,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Leia mais:
Copom deixa porta aberta para nova alta de 0,25 ponto na Selic em setembro
Dados do Boletim Focus, divulgado nesta segunda (8), mostram que as projeções para a inflação oficial do ano que vem já estão em 5,36%.
Por que isso importa?
Juros mais elevados encarecem o custo do crédito e tendem a reduzir a atividade econômica, prejudicando principalmente empresas ligadas ao consumo. Uma Selic mais alta também aumenta a atratividade de investimentos em renda fixa.
Deflação em julho e balanços
De olho no comportamento da inflação, o mercado estará de olho nos dados do IPCA de julho, que serão informados pelo IBGE às 9h. A expectativa é que a redução do ICMS de combustíveis, energia e telecomunicações forçará uma deflação no mês passado, que pode inclusive ser a maior para qualquer mês desde o Plano Real. A expectativa de analistas ouvidos pela Reuters é de uma queda de 0,65%.
Saiba mais:
IPCA-15 confirma tendência de deflação em julho e até agosto – e de inflação forte em serviços
Especialistas lembram que o impacto da redução das alíquotas é pontual, e que a alta de preços, que deve continuar sob controle em agosto, deve voltar a incomodar a partir de setembro, ainda mais com o dólar mais alto e o início do pagamento do novo valor do Auxílio Brasil, que foi elevado de R$ 400 para R$ 600.
O mercado ainda está de olho nos balanços do terceiro trimestre do BTG (BPAC11), que será divulgado antes da abertura do mercado, e de CVC (CVCB3) e Copel (CPLE6), após o fechamento.
Mercados internacionais
Lá fora, os mercados internacionais continuam em compasso de espera para a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor) de julho nos Estados Unidos, que será informado nesta quarta (10). A expectativa é que o dado ajude a calibrar as apostas para a próxima alta de juros pelo Federal Reserve, o banco central americano.
Além disso, os mercados continuam atentos à tensão entre China e Taiwan. Pela manhã, o ministro das Relações Exteriores de Taiwan afirmou que os chineses estão usando os exercícios militares em protesto contra a visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, para preparar uma invasão à ilha.
Por volta das 7h30, os índices futuros americanos operavam no vermelho ou estáveis: o Dow Jones subia o,01%, o S&P 500 perdia 0,13% e o Nasdaq estava em queda de 0,43%. O principal índice europeu, o Euro Stoxx 50, estava em queda de 0,70%.