Aposta do Banco Pan (BPAN4), consignado com Auxílio Brasil deve começar até início de setembro

Entre os bancos com ação negociada na Bolsa, o Banco Pan foi o único, até agora, que disse que vai oferecer o produto aos seus clientes

Foto: Shutterstock

O ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, afirmou nesta quarta-feira (17) que as contratações de crédito consignado por beneficiários do Auxílio Brasil devem começar até o início de setembro. Após a edição do decreto que regulamentou a concessão desse empréstimo, o Ministério da Cidadania trabalha em normas complementares para o início das operações.

“Já temos quase 17 instituições financeiras homologadas pelo Ministério da Cidadania aptas à concessão do empréstimo consignado. É um número que mostra o interesse do mercado em estar disponibilizando o crédito para essa população”, disse, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

Entre os bancos com ação negociada na Bolsa, o Banco Pan foi o único, até agora, que disse que vai oferecer o produto aos seus clientes.

O crédito consignado é aquele concedido pelas instituições financeiras com desconto automático das parcelas em folha de pagamento do salário ou benefício. Os beneficiários do Auxílio Brasil poderão fazer empréstimos de até 40% do valor do benefício e autorizar a União a descontar o valor da parcela dos repasses mensais.

O programa social tem valor mínimo de R$ 400, mas de agosto a dezembro deste ano o benefício será de R$ 600.

Segundo o CEO do Pan, Carlos Eduardo Guimarães, o banco só vai trabalhar com o crédito consignado para o auxílio de R$ 400, sem considerar os R$ 200 adicionais que o governo aprovou de forma temporária até o fim do ano.

Conforme apontam estudos preliminares da instituição, as taxas de juros podem ir de 3,5% a 4,9% ao mês.

O executivo estima que há cerca de 1,5 milhão de clientes da base do Pan que podem solicitar o crédito consignado com o Auxílio Brasil. A instituição tem um total de 21 milhões de clientes.

Como os beneficiários do programa são brasileiros de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade, as taxas de juros devem ser mais altas que as do mercado em geral, assim como as taxas de inadimplência.

Em razão do alto risco embutido, alguns bancos já disseram que não pretendem oferecer o produto a seus clientes, como Bradesco, Itaú e Inter.

Na semana passada, o CEO do Pan disse que já espera que a inadimplência do consignado para o Auxílio Brasil seja maior do que a de aposentados e pensionistas,um produto também oferecido pela instituição.

Na visão dele, o principal motivo para a inadimplência do consignado com o Auxílio será relativo ao cancelamento do benefício, como ocorre, afirmou, com os aposentados e pensionistas.

“Entre aqueles que usam o INSS, um dos motivos da inadimplência é quando a pessoa que tem a aposentadora acaba falacendo. No Auxílio Brasil, pode acontecer de a pessoa cancelar porque, por exemplo, arrumou um emprego e, aí, nós deixamos de ter o desconto no benefício”, disse.

Extrema pobreza

Ao falar sobre o crédito consignado com o Auxílio Brasil, o ministro Ronaldo Bento estava acompanhando do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Erik Figueiredo, que apresentou um estudo que avalia os efeitos do benefício sobre a extrema pobreza, o mercado de trabalho e a insegurança alimentar.

De acordo com o Ipea, a previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) era que a taxa de extrema pobreza brasileira saltaria de 5,1% em 2019 para 8,8% em 2022, mas segundo Figueiredo, a tendência é contrária, com a projeção de uma redução da taxa de extrema pobreza para 4,1% em 2022. Em 2021, 6% dos brasileiros estavam na condição de extrema pobreza.

Para chegar a essa previsão, Figueiredo explicou que o Ipea considerou a adição de 5,7 milhões de famílias no Auxílio Brasil em 2021 e 2022. “Evidente que isso vai ter um impacto na extrema pobreza. Consideramos esse incremento com base em dados mais concretos”, disse.

O estudo diz ainda que o crescimento da prevalência de desnutrição e insegurança alimentar no Brasil não tem impactado os indicadores de saúde ligados à prevalência da fome. “Entre 2018 e 2021, o número de internações relacionadas à desnutrição protéico-calórica de graus moderado e leve, à desnutrição protéico-calórica grave, ao atraso do desenvolvimento devido à desnutrição protéico-calórica, à kwashiorkor [deficiência de proteínas] e ao marasmo nutricional apresentou queda”, informou o Ipea.

De acordo com o instituto, o aumento do repasse do programa representou, entre janeiro e agosto, aproximadamente 2,5 vezes a perda de renda do trabalho das famílias pobres em decorrência da pandemia da covid-19. Além disso, segundo Figueiredo, o crescimento do programa social impulsionou as economias locais.

“Em todas as regiões do país, houve uma relação diretamente proporcional na quantidade de empregos formais gerados e famílias acrescidas ao Auxílio Brasil. Em média, para cada mil famílias incluídas no Auxílio Brasil, há a geração de 365 empregos formais”, disse.

*Com informações da Agência Brasil

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