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Após rescisão com Porto Seguro (PSSA3) e em meio à queda das ações, Cosan (CSAN3) pretende focar na recompra

Após rescisão com Porto Seguro (PSSA3) e em meio à queda das ações, Cosan (CSAN3) pretende focar na recompra

No ano, papéis da Cosan caem quase 4% e os da Raízen e da Rumo, 10%

Foto de celular com logo da Cosan na tela, logo da B3 ao fundo

Foto: Shutterstock

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A desistência da formação da joint venture Mobitech, em parceria com a Porto Seguro (PSSA3), faz parte de um movimento de realocar capital para focar na recompra de ações e na aquisição de ativos de suas subsidiárias listadas, disseram executivos da Cosan (CSAN3) durante a teleconferência de resultados, na manhã desta terça-feira (22).

Ao longo de 2021, quando as ações da Cosan apresentaram valorização de cerca de 16%, a companhia recomprou quase R$ 700 milhões em ativos. Os papéis de suas subsidiárias, Rumo (RAIL3) e Raízen (RAIZ4), tiveram quedas de 7,5% e 9%, respectivamente, no ano passado. Vale lembrar que a Raízen começou a ser listada na Bolsa de Valores em agosto.

E o movimento de recompra dos papéis pela Cosan deverá continuar, em meio à avaliação de que as ações da empresa e também das subsidiárias estão descontados. “Temos uma crença grande em nosso portfólio, por isso o movimento de recompra. E vamos exercer toda vez que acharmos que os valores das ações não estão compatíveis com nossa visão do negócio”, explicou Luis Henrique Guimarães, CEO da Cosan.

Neste ano, enquanto o Ibovespa sobe cerca de 8%, as ações da Cosan caem quase 4% e as da Raízen e da Rumo, 10%.

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A decisão de encerrar a parceria com a Porto Seguro tão pouco tempo depois do anúncio, em novembro, ocorre em meio ao um cenário de incertezas macroeconômicas e políticas, com altas nos juros e na inflação, em que a companhia está adotando uma postura “cautelosa” em termos de custo de capital.

“Do ponto de vista de gestão de portfólio, essas mudanças são muito naturais nesse cenário”, apontou o CEO, que ressaltou que a companhia acredita que o maior potencial de geração de valor esteja na recompra. “Se tivermos que deslocar capital de outros negócios para isso, iremos fazer.”

O fato de a joint venture com a Porto Seguro requerer capital significativo ao longo do tempo faz com que o investimento seja, na visão da Cosan, incompatível com o cenário atual do Brasil. A empresa ressaltou que a decisão não esteve vinculada à crença no potencial do negócio, mas apenas com a gestão de portfólio e a escolha de prioridades.

O investimento conjunto das duas companhias seria voltado para a mobilidade, com foco em veículos por assinatura, gestão de frota e outras modalidades de locação de veículos, e previa um aporte de R$ 300 milhões da Cosan.

Maior conservadorismo com investimentos

A postura cautelosa da Cosan também tem se refletido na diretriz mais conservadora que tem adotado em seus investimentos, segundo Ricardo Lewin, CFO e diretor de relações com investidores da companhia. Segundo ele, tem havido uma “otimização de Capex” para garantir o sucesso de longo prazo do portfólio, enquanto a alavancagem é mantida em níveis adequados.

Ao fim de 2021, o endividamento da companhia se manteve estável em relação ao patamar de fim de setembro, dentro dos níveis que a gestão considera ideais, disse Lewin. O somatório das dívidas da empresa equivalia, em dezembro, a 2,1 vezes o seu Ebitda.

A postura cautelosa e o foco em recompra, porém, não significam que a companhia deixará de investir em seu crescimento, segundo Guimarães, que citou como exemplo a Compass, que segue em sua jornada de procurar oportunidades de expansão geográfica.

“Não queremos que o mercado interprete esse movimento [fim da joint venture e anúncio de novas recompras] como um foco maior no portfólio atual e menor em crescimento – é um movimento pontual em virtude do cenário”, explicou Marcelo Martins, vice-presidente de estratégia da Cosan. “Nosso objetivo é continuar realizando esses investimentos quando tivermos um momento melhor de custo de oportunidade.”

Além disso, a empresa tem como objetivo fazer com que todas as suas subsidiárias sejam listadas na bolsa de valores, segundo o CEO. Quando a companhia enxergar uma janela adequada para abertura de capital, realizará o IPO da Compass. Em um segundo momento, quando a subsidiária estiver preparada, será a vez da Moove.

Repercussão do mercado nesta terça-feira

Por volta das 13h40 desta terça-feira, depois dos comentários da gestão, as ações da Cosan eram negociadas em baixa de 1,84%, a R$ 20,79. Os papéis da Rumo, por sua vez, tinham alta de 4,85%, a R$ 16,00, enquanto os da Raízen subiam 0,17%, a R$ 5,76.

De acordo com dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, sete das 11 casas de análise consultadas recomendam compra para a ação da Cosan, enquanto quatro indicam a manutenção do ativo na carteira – e nenhuma acredita que seja hora de vender. A mediana de preços-alvo dos analistas é de R$ 30, o que equivale a alta de 42% em relação ao preço de fechamento de segunda-feira (21), de R$ 21,18.

Análise de especialistas sobre a ação da Cosan, captura de tela da plataforma TradeMap
Fonte: TradeMap

Para a Rumo, ainda segundo dados da Refinitiv, 14 das 15 casas consultadas recomendam a compra do papel, e apenas uma tem classificação neutra para a ação. A mediana de preços-alvo é de R$ 24,50 – potencial de alta de 60%.

Finalmente, todas as dez casas de análise consultadas indicam a compra da ação da Raízen, com mediana de preços-alvo de R$ 9,90 (upside de 72%).

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