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Após balanço abaixo do esperado, ação da Suzano (SUZB3) surpreende analistas e sobe; entenda

Após balanço abaixo do esperado, ação da Suzano (SUZB3) surpreende analistas e sobe; entenda

Paradas para manutenção e alta nos custos prejudicaram o primeiro trimestre, segundo analistas

A Suzano (SUZB3) voltou. Após dois anos com o pagamento de dividendos suspenso, a companhia anunciou a distribuição de R$ 1 bilhão.

Foto: Divulgação

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Apesar de os analistas esperarem uma reação negativa para os papéis Suzano (SUZB3) nesta quinta-feira (5), uma vez que os resultados do primeiro trimestre de 2022 vieram abaixo das expectativas, não é o que se vê no pregão.

Por volta das 15h15 (de Brasília), as ações ordinárias da companhia lideravam as altas do Ibovespa, com ganhos de 2,02%, a R$ 52,43 – na contramão do Ibovespa, que operava em baixa de 3,11%.

No primeiro trimestre, a empresa reportou lucro líquido de R$ 10,3 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 2,7 bilhões em igual período do ano passado, ficando abaixo da expectativa dos analistas do BTG Pactual, que estimavam lucro líquido de R$ 11,4 bilhões. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 5,1 bilhões, alta de 5% na mesma base de comparação, ficou 4% abaixo do consenso do mercado.

Em relatório publicado na noite de ontem, a equipe de analistas do UBS-BB afirmou que esperava uma reação negativa para as ações no pregão de hoje – mas o contrário aconteceu.

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De acordo com o UBS-BB e analistas do Bank of America (BofA), os resultados da produtora de papel e celulose foram pressionados principalmente pela alta concentração de paradas para manutenção ao longo do trimestre e pela valorização do real.

Com as paradas para manutenção, houve queda de 10% no volume vendido de celulose, para 2,38 milhões de toneladas, e a capacidade de diluição de custos da companhia foi limitada, em um momento em que os custos de produção subiram, devido principalmente ao aumento nos custos dos produtos químicos e dos combustíveis.

No trimestre, o custo caixa de celulose sem paradas alcançou R$ 868 por tonelada, valor 39% maior que o visto no mesmo intervalo de 2021.

Por outro lado, a alta nos preços realizados da celulose beneficiou a companhia e compensou parcialmente os efeitos negativos, diz o UBS-BB. O preço médio líquido da celulose teve avanço de 20% no mercado externo, em relação ao primeiro trimestre do ano passado, para US$ 639 por tonelada, enquanto o preço médio do papel cresceu 26% na base anual, para R$ 5.619 por tonelada.

Para os analistas do BofA, o ponto positivo do balanço foi o progresso na construção do projeto Cerrado e o anúncio de um programa de recompra de até 20 milhões de ações, o que corresponde a cerca de 1,5% dos papéis em circulação.

O que está por vir?

Na divulgação de resultados, a Suzano divulgou seu cronograma de paradas para manutenção para 2023, com uma alta concentração de paradas no segundo trimestre do ano. Isso, segundo o UBS-BB, pode reduzir a oferta global de celulose em até 400kt, sustentando o alto patamar dos preços.

Na divulgação de resultados, a Suzano informou seu cronograma de paradas para manutenção para 2023, com uma alta concentração de paradas no segundo trimestre do ano. Isso, segundo o UBS-BB, pode reduzir a oferta global de celulose em até 400 mil toneladas, sustentando o alto patamar dos preços.

Os analistas do UBS-BB, porém, não são muito otimistas. Apesar de reconhecerem que o mercado permanece apertado, com restrições logísticas e paradas para manutenção mantendo os preços elevados mesmo com o enfraquecimento da demanda da China, apontam que “os fatores que sustentaram os preços no rali atual são temporários por natureza e devem começar a desaparecer no segundo semestre de 2022”.

No relatório, o UBS-BB destaca ainda que uma oferta adicional da América Latina e a diminuição da demanda em face da pressão sobre as margens de fabricantes de papel pode prejudicar os preços a partir da metade do ano.

Outros riscos para a Suzano, de acordo com o UBS, são mudanças regulatórias; interrupções na produção; problemas trabalhistas; volatilidade cambial; e condições econômicas globais. O BofA cita ainda tendências cíclicas globais; riscos operacionais e riscos associados a combinação de negócios com a Fibria.

Assim, o UBS-BB mantém sua recomendação neutra para a ação da Suzano, com preço-alvo de R$ 62, o que corresponde a alta de 21% em relação ao valor do papel no fechamento de quarta-feira, de R$ 51,37.

O BofA, por sua vez, indica a compra da ação, “devido ao valuation atrativo e aos fundamentos positivos da celulose”, com preço-alvo de R$ 91 – potencial de alta de 77%. Segundo o banco, as ações já precificam uma possível queda no preço da celulose, de modo que o patamar atual “oferece um ponto de entrada atrativo”.

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