A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) vai criar uma categoria de fundos específica para as carteiras que têm como objetivo o investimento sustentável (ESG em inglês, ASG em português, que leva em conta aspectos ambientais, sociais e de governança). Agora esses fundos devem seguir critérios de prestação de informações definidos pela Anbima e poderão ter o sufixo “IS”, de Investimento Sustentável.
Para ser considerado sustentável, o fundo terá que ter definido o objetivo de investimento sustentável no regulamento, ter processos e metodologias que atestem o compromisso ESG e monitoramento constante da carteira para que ela esteja sempre alinhada a esse propósito.
O gestor também deverá adotar padrões mínimos determinados na autorregulação. Por exemplo, ele terá que ter seu compromisso atestado por meio de um documento escrito, além de divulgar de forma transparente as diretrizes e os procedimentos de sustentabilidade adotados pela instituição.
Os fundos que integram os critérios ESG no processo de gestão, mas não têm como objetivo principal o investimento sustentável, também estarão aptos a uma diferenciação com o uso da frase “esse fundo integra questões ASG em sua gestão” nos materiais de divulgação, o que facilitará a identificação pelos investidores.
A medida valerá inicialmente para fundos de renda fixa e de ações e a ideia é ampliá-la para os multimercados e estruturados, como Fundos de Investimentos em Participações (FIPs), FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) e fundos imobiliários.
Até então, havia apenas uma subcategoria sustentabilidade/governança para os fundos de ações, que deixará de existir, com até 12 meses para a adaptação.
Falta de padronização dificulta comparação dos fundos ESG
Os critérios definidos pela Anbima partem do princípio da autorregulação e visam trazer mais transparência para essas carteiras. Mas a entidade não vai fiscalizar ou julgar se os investimentos do fundo são sustentáveis ou não. Também não será estabelecida uma regra para esses investimentos.
Hoje não há uma padronização de metodologia na escolha dos investimentos de ESG, com muitas gestoras adotando seus próprios critérios, o que torna mais difícil a comparação entre as carteiras.
Tem gestoras que usam filtro negativo, com a exclusão de determinadas empresas ou setores da carteira. Outras dão mais peso para as companhias com melhores notas no quesito ESG, mas não excluem, necessariamente, alguns setores considerados poluentes, como ligados à energia fóssil.
Também não há um benchmark único usado no mercado para medir o retorno. Há fundos que adotam como referência o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE), outros usam o referencial MSCI ESG, e há aqueles que não adotam nenhum benchmark ligado à sustentabilidade.
Os fundos com temática ESG têm crescido no Brasil. Só os produtos listados na B3 somavam R$ 2,4 bilhões de patrimônio em novembro. Veja aqui quais os produtos disponíveis no mercado e quais fatores levar em consideração para escolher esses investimentos.