Destaques
Marujos! No mês de julho, o principal tema que rondou o mercado nacional foi a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados. A votação, que contou com 379 votos favoráveis e 131 votos contrários, teve um resultado melhor do que era esperado pelos investidores há alguns meses – não teve grande desidratação.
A evolução da aprovação do projeto da abertura para presenciarmos taxas de juros estruturalmente mais baixas no país. Em contrapartida, os dados de atividade seguem, de certa forma, fracos, enquanto o alto grau de ociosidade na economia vem puxando a inflação para baixo. No dia 31, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a Selic de 6,5% para 6% ao ano, indicando um novo ciclo de cortes e que ajustes serão necessários caso as atuais expectativas para a inflação se concretizem.
O ambiente global, por outro lado, se encontra bastante conturbado, afetando principalmente as bolsas da grande maioria dos emergentes. Estados Unidos e China voltaram a abalar a confiança dos investidores nos primeiros dias de agosto, quando uma nova rodada de tarifas no país asiático foi imposta pelo presidente Donald Trump, que viu os chineses respondendo com a desvalorização do Yuan – moeda nacional chinesa.
Na Ásia, vemos o conflito entre Japão e Coréia do Sul. Enquanto na Europa, por sua vez, acompanhamos a Alemanha – principal economia do continente – liderando o movimento de desaceleração da atividade econômica, ao mesmo tempo em que o Reino Unido caminha na direção de ruptura com a União Europeia.
Fundos
Em julho, acompanhamos fundos multimercados de algumas das gestoras mais renomadas do país: Verde AM, SPX Capital, Adam Capital, Legacy Capital, Occam Brasil, Bahia AM e Kapitalo Investimentos.
De uma maneira geral, as gestoras estão com um viés positivos com os mercados de bolsa, câmbio e juros no Brasil, ou seja, imaginam que a bolsa e o real devem se valorizar, enquanto as taxas de juros devem cair.
A fraca atividade econômica somada a um cenário controlado de inflação e à aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência abrem um espaço significativo para futuros cortes de juros por parte do banco central brasileiro. Podemos esperar, dessa forma, taxas de juros estruturalmente mais baixas e o país em uma trajetória fiscal mais saudável, cenário que suporta o otimismo das gestoras com a bolsa brasileira.
Alguns setores se destacam entre os preferidos das gestoras para o início do mês, sendo eles utilities, consumo discricionário e financeiro. Um dos fatores centrais de suas naturezas é que essas indústrias tendem a se beneficiar bastante com juros mais baixos: os empréstimos e financiamentos ficam mais baratos, aumentando o consumo das famílias. Nessa mesma linha de pensamento entra o benefício para os bancos, que acabam intensificando seus negócios. Setores como Shopping Centers e Siderurgia também ganham destaque como comprados nas cartas da Kapitalo e Bahia.
Na plataforma do TradeMap, podemos criar listas específicas para acompanhar os papéis dessas indústrias e muitas outras.

Cenário externo
Em relação às bolsas internacionais, o que se entende dos comentários dos gestores é uma sensação de incerteza. A SPX e a Verde, por exemplo, encontram-se vendidas em bolsas globais. A Legacy e Bahia, seguindo linha similar, encontram-se vendidos na bolsa americana.
Dessa forma, o risco alocado nas carteiras está reduzido nos mercados internacionais, o que reflete uma apreensão com o atual cenário de tensões internacionais. Tensões as quais vão desde a desaceleração da maior economia europeia, a Alemanha, até a guerra comercial entre China e EUA.
Uma maneira de acompanhar a bolsa americana pelo TradeMap é por meio do índice IVVB11, que replica o índice S&P500 e é negociado na bolsa do Brasil. Abaixo segue um gráfico comparativo de rentabilidade entre o Ibovespa e o IVVB11, disponível no aplicativo. No período, desde agosto de 2014, o índice que replica o S&P500 rentabilizou 196%, enquanto o Ibovespa somou 78%.

Há ainda forte atividade econômica nos EUA, de um lado, e as tensões comerciais e perspectiva de intensificação da desaceleração global de outro. Esses movimentos levam a uma postura indefinida do Federal Reserve (banco central americano) quanto a sua política monetária.
Esse cenário faz com que não percebemos um consenso das gestoras em relação à tendência das moedas contra o dólar americano.
Algumas gestoras, como a Adam, a SPX e a Occam encontram-se compradas na moeda norte americana, isso se dá principalmente porque estamos presenciando cortes de juros envolta do globo como um todo e, além disso, pelo fato dos EUA serem a economia mais sólida do planeta.
A Legacy, por outro lado, não vê uma tendência clara no preço da moeda contra a maior parte das outras moedas – estão comprados no real contra o dólar americano para esse começo de mês.
Como exemplificação, ilustramos as posições de destaque nas carteiras dos fundos Kapitalo Zeta e Legacy Capital, retiradas das cartas das próprias gestoras.

