Americanas (AMER3): antes de ataque hacker, e-commerce crescia em ritmo acelerado; ações voltam a cair

Em janeiro e fevereiro, e-commerce da empresa teve expansão de cerca de 40%, acima do avanço de 36% no 4º trimestre de 2021

Foto: Shutterstock

Quando hackers atacaram o ambiente de e-commerce da Americanas (AMER3) no sábado passado (19), o que forçou uma suspensão das vendas por alguns dias, a varejista estava sendo atingida em um negócio que crescia de forma acelerada e com cada vez mais relevância na empresa. 

No quarto trimestre de 2021, o faturamento dos canais digitais – seja por meio de parceiros que usam a plataforma do marketplace ou por vendas da própria Americanas – cresceu 36% em relação a igual período do ano anterior, segundo balanço publicado na noite de quinta-feira (24).

Embora o primeiro trimestre deste ano ainda não tenha terminado, a empresa já indicou – no balanço de ontem e na teleconferência com analistas, realizada nesta sexta-feira (26) – que as vendas dos primeiros meses contavam, antes do ataque, com uma expansão ainda maior.  Janeiro teve um crescimento de 40% em relação ao primeiro mês de 2021.

Nesta sexta, na teleconferência, o CEO da plataforma digital, Márcio Cruz, afirmou que “o mês de fevereiro vinha com uma continuidade de crescimento muito parecida com o ritmo de janeiro”, até o ataque ocorrer.

Além disso, o e-commerce vinha aumentando a sua relevância dentro da Americanas, ao obter taxas de crescimentos superiores às das lojas físicas. 

Enquanto o e-commerce teve avanço de 36% no quarto trimestre, as lojas físicas tiveram uma expansão de 10,7% em relação a igual período de 2020. É importante ponderar, é claro, que o varejo físico ainda sofre com restrições impostas pela pandemia. 

As vendas em canais digitais, que somaram R$ 13,3 bilhões no quarto trimestre, já representam mais que o dobro da receita bruta da estrutura física, de R$ 4,9 bilhões. 

O lado negativo do aumento da relevância do e-commerce é que as margens de lucro são menores, uma vez que a concorrência na internet é mais acirrada. 

No quarto trimestre, a Americanas viu a margem em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) cair para 11,8%, de 16,1% em igual período do ano anterior. 

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Apesar do ataque hacker, a empresa mantém o otimismo com a expansão do e-commerce em 2022. 

Segundo o CEO da plataforma digital, antes do ataque, o e-commerce da empresa vinha sendo beneficiado por um esforço em aumentar a recorrência de quem já é cliente, melhorando a experiência do usuário e ampliando a variedade de produtos, para gerar mais conversões de vendas. “Estamos pescando dentro do próprio aquário.

O ambiente de e-commerce começou a ser gradualmente restabelecido na última quarta-feira (24), mas o CEO da empresa, Miguel Gutierrez, afirmou que as investigações seguirão pelas próximas semanas. 

A companhia não chegou a divulgar quanto perdeu em vendas com os dias em que os sites ficaram fora do ar, mas o TradeMap calculou, com base em dados do terceiro trimestre, o último balanço que estava disponível até então, que as perdas poderiam ser de cerca de R$ 107 milhões por dia fora do ar.

Em nova conta, tomando como base os dados do quarto trimestre, que mostraram expansão do e-commerce, o prejuízo poderá ter de sido de pelo menos R$ 144 milhões por dia. 

Por volta das 14h10, as ações de Americanas caíam 0,70%, a R$ 29,99. Na semana, papéis acumulam baixa de 7,85%.

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