A informação dada pela Americanas (AMER3) de que a companhia possui apenas R$ 800 milhões em caixa e que a recuperação judicial pode ser pedida “nas próximas horas” estremeceu o mercado. Mais uma vez após o anúncio do rombo contábil feito na semana passada, a ação da companhia despenca na Bolsa.
Por volta das 12h30, o papel recuava 20,69%, a R$ 1,38.
Nesta quinta-feira (19), por meio da fato relevante, a companhia deu mais detalhes de sua situação financeira. Segundo o documento, a posição de caixa disponível para suas atividades alcançou o valor de R$ 800 milhões.
O montante é 90% menor do que o divulgado pelo então CEO da Americanas, Sergio Rial, na semana passada, então em R$ 8 bilhões.
Em relação ao caixa atual, a companhia afirmou que “uma parcela significativa deste valor estava injustificadamente indisponível para movimentação pela companhia na data de ontem (18)”.
A XP afirmou,em relatório, que essa posição de caixa é equivalente a cerca de cinco meses de despesas com pessoal e, por isso, pode acelerar a decisão da companhia de protocolar um pedido recuperação judicial.
Para Régis Chinchila e Luis Novaes, analistas da Terra Investimentos, o cenário de recuperação judicial era visto como provável pelo mercado, já que as primeiras liminares foram favoráveis aos bancos credores, cenário que foi reiterado também pela “redução significativa em posição de caixa”.
“Nesse caso, os investidores têm uma reação negativa a essa possibilidade”, afirmam.
Na quarta-feira (18), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a decisão judicial que havia negado o pedido do BTG Pactual contra a a decisão a favor da Americanas que impediu qualquer bloqueio ou arresto de bens da empresa até eventual apresentação de plano de recuperação judicial.
Dessa forma, o banco conseguiu que a Justiça bloqueasse R$ 1,2 bilhão de recursos da Americanas que estão na instituição financeira.
Foi esse cenário que fez a empresa informar que está trabalhando com a possibilidade de, “nos próximos dias ou potencialmente nas próximas horas”, aprovar o ajuizamento, em caráter de urgência, de pedido de recuperação judicial”.
A ação da Americanas já acumula uma desvalorização de 85,5% desde a revelação do rombo financeiro. Na quarta-feira passada, antes de divulgar o quadro, o papel da empresa era cotado a R$ 12 e respondia pela maior alta do Ibovespa no ano.