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American dream: após ano estelar para os BDRs, saiba em quais apostar em 2022

American dream: após ano estelar para os BDRs, saiba em quais apostar em 2022

Ativos podem ser boa forma de se proteger da volatilidade com as eleições de 2022

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O “american dream”, que sempre fez parte do imaginário do investidor brasileiro, tem se tornado cada vez mais real desde setembro de 2020, quando os investidores do varejo começaram a poder investir nos chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipt), papéis que são emitidos no Brasil e replicam ações negociadas no exterior.

O grande apelo dos BDRs é a facilidade em investir em companhias internacionais, pois não é necessário abrir conta em corretoras estrangeiras. “Abriu-se um espectro de opções e de acesso a teses de investimento que antes o pequeno investidor não tinha”, afirma João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos.

É possível notar o aumento da demanda pelos volumes de negociação diária dos ativos. Depois da liberação para o investidor pessoa física, o volume financeiro médio diário de BDRs, que era de R$ 34,3 milhões em dezembro de 2019, saltou para para R$ 274,4 milhões em igual mês de 2020.

O BDR da Tesla, por exemplo, atingiu um volume diário médio, nos últimos 12 meses, próximo de R$ 65 milhões, e a da Disney, de aproximadamente R$ 7,5 milhões.

Balanço de 2021: performance estelar

A classe de ativos teve, de maneira geral, uma performance positiva ao longo de 2021, ironicamente ajudada pelos desafios do cenário econômico local. Com o ambiente político mais instável, o cenário fiscal mais deteriorado e todos os problemas da pandemia, houve um aumento da aversão ao risco no Brasil, o que fez com que o real se desvalorizasse em relação ao dólar. “Diante disso, os preços dos BDRs (negociadas em real) se tornaram mais atrativos”, afirma Lucas Oliveira, sócio da Nexgen Capital.

Além disso, a recuperação acelerada da economia dos Estados Unidos, onde estão as empresas com os BDRs mais negociadas, também ajuda a impulsionar a demanda. “Vemos que o S&P 500 e as bolsas americanas renovaram suas máximas históricas ao longo de 2021, o que é reflexo do crescimento que essas empresas têm reportado”, diz Oliveira.

O bom desempenho dos BDRs pode ser visto por seu índice, o BDRX, que teve alta de 36,33% no ano até o fechamento de 27 de dezembro, contra queda de 11% registrada pelo Ibovespa, que reúne as ações das principais empresas brasileiras, no mesmo período.

O BDR da General Electric (GEOO34), por exemplo, teve valorização de 902,39% no período, e a da BioNTech, de 228,05%, enquanto as empresas do Ibovespa que mais ganharam foram Embraer (EMBR3), com 176,72%, e Braskem (BRKM5), com 143,95%.

“Isso exemplifica bem um dos motivos para colocar essa diversificação global na carteira. Você diminui um pouco o risco Brasil tendo acesso a essas empresas enormes que todo mundo conhece”, explica Freitas.

Ao longo de 2021, o setor de tecnologia figurou entre os BDRs mais negociados na B3. A Tesla (TSLA34) lidera o ranking, seguido de Mercado Livre (MELI34), Amazon (AMZO34), Alphabet (GOGL34), Alibaba (BABA34), Moderna (M1RN34), Microsoft (MSFT34), Facebook (FBOK34) e Disney (DISB34).

Entre as que mais se valorizaram, além das já citadas, Freitas chama atenção para as fabricantes de vacinas, como BioNTech (B1NT34) e Moderna (M1RN34), que surfaram na onda da pandemia e acumulam ganhos de 228,05% e 137,63% no ano, respectivamente.

O analista também lembrou os recibos da Ford (FDMO34), que vinha perdendo mercado, mas subiu 154,32% no ano, conforme o mercado começou a ver com bons olhos suas iniciativas no campo de veículos elétricos.

Outra que se destaca é a Nvidia (NVDC34), fabricantes de componentes eletrônicos que teve alta de 155,82% no ano até agora. “No meio dessa crise de semicondutores, a Nvidia acabou conduzindo seus negócios muito bem. A empresa está dentro de um setor que passa por transformações constantes e atua muito bem como fornecedora de insumos de que o mundo carece para realizar toda essa transformação”, argumenta Freitas.

No setor de varejo, o analista Enrico Cozzolino, da Levante Investimentos, destaca a Macy’s (MACY34) e a CVS (CVSH34), com performances de 134,74% e 64,53%, respectivamente, em contraponto às varejistas brasileiras, que figuram entre as maiores perdas do ano. “Aqui a nossa inflação preocupa. Não que a dos EUA não preocupe, mas, dado o nosso histórico, a nossa alta taxa de desemprego e a falta de renda, em comparação com os EUA, temos um cenário um pouco mais preocupante para o comércio”, explica.

No que apostar em 2022?

O bom desempenho dos BDRs em 2021 deve seguir em 2022, na visão dos analistas entrevistados pela Agência TradeMap, ainda que os mercados do mundo inteiro possam passar por uma desaceleração causada pelas medidas adotadas por bancos centrais para combater a inflação.

Isso porque, além de todos os fatores que impulsionaram a classe de ativos durante 2021, as eleições de 2022 têm potencial de trazer mais volatilidade ao mercado, favorecendo a exposição a ativos internacionais como forma de proteger a carteira.

Na análise de Freitas, permanece sendo muito importante acompanhar de perto as big techs, como são conhecidas as gigantes americanas do setor de tecnologia, até porque elas são responsáveis por boa parte dos retornos do S&P 500, principal índice de ações dos EUA.

Dentro do setor, Freitas chama atenção para a Meta (ex-Facebook), que “continua sendo uma empresa super inovadora, sempre investindo em novidades, além de ter receitas enormes e conseguir boas margens com anúncios e dados”. O analista também menciona a Microsoft, que vem ganhando terreno em computação em nuvem, e a Amazon.

Saindo dos nomes mais tradicionais, o analista recomenda também atenção às ações da Booking (BKNG34), que sofreu durante a pandemia. “Eu acredito que a ação é uma alternativa para o investidor que espera aproveitar essa retomada do turismo. A Booking já está na bolsa há bastante tempo, tem bastante histórico e um modelo de negócios comprovado”, diz.

Cozzolino também chama atenção para o setor de siderurgia e metalurgia, como ArcelorMittal (ARMT34) e United States Steel Corp (USSX34). “Acho que é um setor que, em um cenário de retomada, pensando em um pós-pandemia, ainda teria muito para se valorizar”, explica.

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