As companhias aéreas que atuam no Brasil têm mostrado recuperação em seus volumes, ajudadas pelo avanço da vacinação e pelo fim dos bloqueios adotados para combater a pandemia.
Na análise do Bank of America, em relatório distribuído nesta terça-feira (14), os dados “continuam a mostrar uma recuperação estável do setor de aviação em meio ao progresso da vacinação e à redução das restrições à mobilidade”.
A rota de retomada, porém, ainda pode ser longa. Em novembro, às vésperas da alta temporada de viagens, apenas a Azul superou os volumes registrados no mesmo mês de 2019, período pré-pandemia. O tráfego total de passageiros (RPK) ficou 2% acima e a capacidade total (ASK), 3%.
Dos resultados apresentados pela aérea, o BofA chama atenção para a alta de 24% na demanda doméstica em relação a novembro de 2019, como resultado de um ganho de participação de mercado.
Em comunicado de divulgação dos resultados mensais, o CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que observou, em novembro, uma continuação da melhora nas tendências de reservas no Brasil, impulsionada por uma das maiores taxas de vacinação do mundo. “Nossos fortes números de tráfego demonstram claramente a sustentabilidade das vantagens competitivas do nosso modelo de negócio, enquanto emergimos da crise ainda mais fortalecidos.”
Ainda que a Azul tenha sido a única a apresentar volumes superiores aos de 2019, os dados da Gol e da Latam indicam recuperação na comparação mensal.
A Latam apresentou volume de passageiros equivalente a 62,3% do total de novembro de 2019. A capacidade, por sua vez, ficou em 62,8%, no mesmo tipo de comparação.
Para dezembro, a companhia espera registrar 69% do volume de dezembro de 2019, acima de sua projeção anterior, devido a aumentos nas expectativas de voos na Colômbia e no Brasil, ao lançamento de novas rotas e à retomada de voos antes suspensos. A aérea mantém a expectativa de terminar o ano em mais de 65% dos níveis de capacidade de 2019.
A capacidade da Gol em novembro, por sua vez, ficou 34,2% abaixo do nível de 2019, mas subiu 17,1% na comparação com outubro. A demanda subiu 20,4% em relação ao mês anterior.
O BofA ressalta, no entanto, que o setor segue sujeito a riscos significativos, como variações no câmbio e nos preços dos combustíveis, que podem pressionar as margens, queda em viagens corporativas e uma nova piora da situação da pandemia de covid-19.
O Bank of America classifica a Azul e a Gol como underperform, isto é, espera que as duas tenham desempenho inferior à média do mercado, e não tem cobertura sobre a Latam.
Na tarde desta terça-feira, por volta das 16h50, as ações da Azul (AZUL4) tinham alta de 1,04%, negociadas a R$ 25,24, e as da Gol (GOLL4) subiam 0,38%, a R$ 18,44, tendo como pano de fundo queda de 0,63% do Ibovespa. Os ADRs da Latam, negociados em Nova York, apresentavam avanço de 2,97%, a US$ 0,52.