Alta do desemprego nos EUA reduz apostas em alta agressiva de juros; bolsas sobem e dólar cai

Apesar disso, a maior parte dos investidores ainda acredita em um novo aumento de 0,75 ponto neste mês

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O aumento da taxa de desemprego nos Estados Unidos reduziu as apostas dos investidores em um aumento mais agressivo de juros na próxima reunião do Federal Reserve e animou as bolsas americanas na manhã desta sexta-feira (2). No Brasil, o dólar e os juros futuros caem.

Mais cedo, o governo americano informou que a maior economia do mundo criou 315 mil empregos em agosto, um pouco mais que o esperado. Por outro lado, o payroll, como é conhecido o relatório que traz estes dados, mostrou também que a taxa de desemprego subiu de 3,5% em julho para 3,7% no mês passado.

O ganho médio por hora subiu 0,3%, menos que o projetado, e a criação de postos de trabalho em junho foi revisada para baixo com força: de 398 mil para 293 mil, mostrando um mercado menos aquecido no mês do que se pensava.

Todo esse cenário, que aponta para forças inflacionárias um pouco menores, retira um pouco da pressão sobre o Fed para aumentar os juros com força no próximo encontro, no final deste mês.

Apesar disso, as apostas em um aumento agressivo nos juros dos EUA em setembro, de 0,75 ponto porcentual, continuam majoritárias no mercado, que vê 64% de chance de um aumento desta magnitude ocorrer, segundo o CME Group. Antes do dado, esse percentual era de 70%.

Saiba mais: 
Payroll: EUA criaram 315 mil vagas em agosto, mas desemprego sobe a 3,7%

Com os sinais de que o mercado de trabalho pode estar desaquecendo, os índices futuros americanos, que operavam perto da estabilidade antes do payroll, passaram a subir, com o Dow Jones ganhando 0,74%, o S&P 500 subindo 0,79% e o Nasdaq em alta de 0,74% por volta das 10h20.

Segundo dados da plataforma TradeMap, no mesmo horário o dólar futuro recuava 1,10% e os contratos DI de juros com vencimento em outubro de 2025 caíam 9 pontos-base, a 11,48%.

Como era esperado pelo mercado, o número mostrou uma desaceleração na criação de postos de trabalho em relação a julho, quando foram criadas 526 mil vagas, segundo dado revisado.

A taxa de desemprego aumentou porque o relatório apontou um aumento do número de pessoas desempregadas, com alta de 344 mil entre julho e agosto. “Isso aconteceu porque os salários estão elevados e, portanto, mais pessoas passaram a procurar emprego, elevando a taxa de participação da população economicamente ativa de 62,1% para 62,4%”, apontou a economista Claudia Rodrigues, do C6 Bank..

A BLS informou ainda que o ganho médio por hora dos trabalhadores subiu em US$ 0,10, a US$ 32,36, uma alta de 0,3% na comparação com julho e de 5,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Na nossa visão, esses números mostram um mercado de trabalho muito aquecido, fruto dos fortes estímulos econômicos que foram dados durante e após a pandemia. Como o objetivo do Fed é desaquecer a economia para trazer a inflação para a meta, os dados do payroll indicam mais aperto pela frente”, disse Rodrigues.

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