Ações de construtoras sobem após dados do 4º tri; Dynamo dá impulso extra à Cyrela (CYRE3)

Gestora ampliou sua participação na companhia para 10,8%, ou 40,2 milhões de ações

Foto: Divulgação

As construtoras estão entre as maiores altas do Ibovespa no pregão desta quarta-feira seguindo uma bateria de resultados operacionais do quarto trimestre que surpreenderam positivamente o mercado.

“A MRV reportou recorde; a Cury (CURY3) divulgou ontem, foi recorde também; a Moura Dubeux (MDNE3) também teve um resultado excepcional; assim como a própria Cyrela, a empresa de maior qualidade, na nossa opinião”, comenta Marco Saravalle, analista e sócio da SaraInvest.

Por volta das 16h40, as ações da Cyrela (CYRE3) tinham alta de 7,15%, seguidas de Eztec (EZTC3), que subia 6,03%, e Direcional (DIRR3), com avanço de 5,62%. Todas as ações de construção civil do Ibovespa subiam.

Destaque do dia, as ações da Cyrela eram ajudadas ainda por um aumento de participação da gestora Dynamo, anunciado na noite de terça-feira. A gestora agora detém uma fatia de 10,89% da construtora, o equivalente a 40,2 milhões de ações.

“A Dynamo é considerada uma casa referência para o Brasil, então o fato de ela ter uma participação de 10% na Cyrela marca um ponto importantíssimo para outras gestoras começarem a olhar para a empresa”, diz Saravalle.

A queda recente dos papéis também ajudou as ações a aproveitar o dia de bom humor nos mercados. Em 2021, o Imob, índice da bolsa de valores que reúne as ações do setor, acumulou perdas de 31,1%, contra desvalorização de 12% do Ibovespa. No ano até aqui, enquanto o principal índice da Bolsa tem alta de 3,2%, o Imob anota queda de 4,4%.

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Variação diária nos preços de ações de construtoras no último mês. Fonte: TradeMap

“Na minha visão, chegamos a um limite no prêmio de risco solicitado pelo mercado depois de um 2021 muito ruim. Em um dia de bom humor do mercado, os preços acabam se ajustando”, aponta Enrico Cozzolino, especialista em ações da Levante Investimentos.

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A desvalorização das ações, porém, não é reflexo de uma perda de valor das companhias, explica Cozzolino, mas de condições macroeconômicas. Fatores como a alta da inflação, que corrói o poder de compra da população, e a alta do INCC, que encarece custos e diminui a margem das construtoras, estão por trás das quedas, diz o analista.

O maior fator, porém, parece ser a alta da curva de juros. As empresas do setor imobiliário são altamente dependentes de crédito – e o crédito imobiliário é, normalmente, de longuíssimo prazo. Assim, a alta nos juros longos acaba tendo impacto sobre o valor de financiamento.

Apesar do cenário, os especialistas apontam que os fundamentos das empresas seguem sólidos. “Não podemos esquecer de todo o landbank que uma construtora tem, e do histórico de operar bem em períodos desafiadores, com inflação subindo”, afirma o analista da Levante.

Dessa maneira, a perspectiva para o setor “depende muito da relação de juros e da questão das eleições. Depende muito do macro. No micro, estamos vendo que a companhia está fazendo a lição de casa. Agora, a performance depende muito mais do macro do que da própria companhia”, aponta Saravalle.

Os riscos, então, seguem relevantes. Como principais ameaças, a equipe de analistas do BTG Pactual Digital menciona, em relatório publicado nesta quarta-feira, o algo grau de sensibilidade do setor às condições macroeconômicas, possíveis mudanças regulatórias e a gestão de um longo ciclo de capital de giro.

Sucesso de subsidiária ajuda Cyrela

Em sua prévia operacional do quarto trimestre, divulgada na noite de terça-feira, a Cury, subsidiária da Cyrela, anotou vendas brutas de R$ 672 milhões, alta de 50% em relação ao mesmo período de 2020, e vendas líquidas de R$ 611 milhões (+51% ano a ano).

“Consequentemente, a relação vendas/oferta foi novamente (e facilmente) a mais forte da indústria em 38%”, de 25% no quarto trimestre de 2020, aponta relatório do BTG Pactual Digital.

Ao longo do trimestre, foram lançados sete projetos no valor de R$ 788 milhões, 17% a mais do que no último trimestre do ano passado, fazendo com que 2021 terminasse com R$ 2,8 bilhões em lançamentos, valor 81% superior ao do ano anterior.

“Não apenas o trimestre da Cury surpreende, mas o ano de 2021 como um todo foi espetacular para a companhia” ressalta Luis Assis, analista da Genial Investimentos, em relatório.

Na visão da equipe de analistas do BTG Pactual Digital, “a Cury reportou fortes resultados operacionais no quarto trimestre de 2021 em todos os lugares que você olhar, com lançamentos e vendas robustos, além de forte geração de fluxo de caixa”.

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