A CPFL Energia (CPFE3), que atua nos segmentos de distribuição e comercialização de energia, fechou o mês de junho em queda de 8,4%, mas ao longo do ano ainda acumula forte valorização – no primeiro semestre, o avanço foi de 26,5%, o sexto maior avanço dentre os componentes do Ibovespa.
O bom desempenho dos papéis da CPFL ao longo do ano pode ser explicado pelo fato de a empresa estar inserida em um segmento tido como defensivo – ou seja, menos influenciado pelas condições macroeconômicas.
Como o cenário atual é de taxa de juros e inflação elevadas e há chance de uma recessão global em 2023, os investidores ficam mais interessados em empresas com estas características.
No caso específico da CPFL, o que garante o status de ação defensiva é o fato de a empresa reajustar os preços de acordo com a inflação e ter facilidade em repassar esses custos para o consumidor. A previsibilidade das receitas é outro ponto a favor. Isso torna a companhia mais estável em momentos de crise.
Em abril deste ano, por exemplo, a empresa foi autorizada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a aumentar a tarifa de luz em 15%, em média, diante do aumento nos custos da CPFL para produzir e distribuir energia elétrica.
Isso significa que as margens de lucro da companhia devem começar a melhorar do segundo trimestre para frente. Nos primeiros três meses de 2022, a CPFL registrou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 2,6 bilhões, 34,4% superior ao do mesmo período de 2021.
A margem Ebitda, que mede a proporção deste lucro em relação à receita líquida da companhia, foi de 19,4%, avanço de 3,7 pontos porcentuais na mesma base de comparação.
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Os resultados permitem que a empresa seja uma das grandes pagadoras de dividendos do Brasil. Só neste ano, a CPFL confirmou a distribuição de R$ 3,7 bilhões em proventos, o equivalente a R$ 3,24 por ação.
No acumulado dos rendimentos dos últimos 12 meses, a companhia registra um dividend yield (DY) de 15,68%. O DY é a proporção de rendimentos recebidos em relação ao preço de uma ação.
O fato de ter um DY acima da inflação acumulada nos 12 meses até maio, de 11,73%, torna a CPFL um investimento cobiçado pelos investidores. Isso reforça a lista de motivos para o papel registrar uma das maiores altas do Ibovespa em 2022.
Dentre dez instituições financeiras consultadas pela Refinitiv, sete recomendam a compra das ações da CPFL, enquanto três atribuem recomendação neutra ao papel – nem compra, nem venda -, segundo informações da plataforma TradeMap. A mediana dos preços-alvo colhidos pela Refinitiv é de R$ 37,50 – o que representa potencial de alta de 21,4% em relação ao valor do papel no fechamento de quinta-feira (30).
Por volta das 13h30, as ações da CPFL Energia subiam 2,85%, para R$ 31,76.