Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

Ao longo da semana, os investidores repercutiram a divulgação de indicadores econômicos relevantes no Brasil e nos Estados Unidos, os resultados do segundo trimestre de 2026, que movimentaram o mercado, e os desdobramentos do cenário externo, com as tensões no Oriente Médio permanecendo no radar. Nesse contexto, o Ibovespa recuou pela nona sessão consecutiva e acumulou queda de 3,23% na semana, registrando seu pior desempenho semanal em três meses.

No cenário doméstico, a atenção se voltou para os dados de inflação e para a ata do Copom. O IPCA avançou 0,07% em julho, acima da expectativa de 0,03%, mas desacelerou frente à alta de 0,16% registrada em junho. Em 12 meses, o índice acumulou 4,44%, ante 4,64% no período anterior. Além disso, a ata do Copom reforçou a postura cautelosa do Banco Central, indicando que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução dos dados, especialmente da inflação e da atividade econômica.

Nos Estados Unidos, os investidores acompanharam os dados de inflação. O CPI avançou 0,1% em julho, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo subiu 0,2%. Em 12 meses, o índice cheio desacelerou de 3,5% para 3,4%. Já o PPI ficou estável no mês, abaixo da expectativa de alta de 0,2%, e avançou 4,7% em 12 meses, também abaixo da projeção de 4,9%.

No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio permaneceram no radar ao longo da semana, diante do impasse envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz. Irã e Omã seguiram sem chegar a um acordo, enquanto Teerã manteve condições para a liberação da passagem. Novos ataques a embarcações, as ações dos houthis em Bab el-Mandeb e um ataque a uma refinaria na Arábia Saudita também mantiveram elevadas as preocupações com a segurança das rotas de transporte e a oferta global de petróleo.

 

Maiores altas

 

 

A Embraer (EMBJ3) avançou 7,03% na semana. O desempenho foi impulsionado pela divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão, alta de 25,1% na comparação anual, e receita recorde de R$ 11,3 bilhões para o período. Além disso, a companhia elevou as projeções de margem EBIT ajustada e de fluxo de caixa livre para 2026, reforçando o otimismo dos investidores em relação ao desempenho da empresa.

A MRV (MRVE3) avançou 6,73% na semana. O desempenho foi impulsionado pela repercussão dos resultados do segundo trimestre de 2026, apesar do prejuízo líquido consolidado de R$ 626 milhões, impactado principalmente por baixas contábeis relacionadas à Resia. A melhora operacional no Brasil, com avanço das margens e da geração de caixa, além da perspectiva de redução da dívida com a venda de ativos da operação norte-americana, reforçou a percepção positiva dos investidores em relação às ações.

A Ultrapar (UGPA3) avançou 3,16% na semana. O desempenho foi impulsionado pela divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, com crescimento de 46% no lucro líquido e forte avanço do Ebitda ajustado recorrente. A companhia também registrou geração recorde de caixa operacional e redução da alavancagem financeira, além de anunciar o pagamento de R$ 1,08 bilhão em dividendos, reforçando a percepção positiva dos investidores em relação às ações.

 

Maiores quedas

 

 

A Hapvida (HAPV3), como a maior queda da semana, desvalorizou 37,51%. O desempenho foi pressionado pela divulgação de resultados considerados fracos no segundo trimestre de 2026, marcados pela compressão das margens, piora da sinistralidade e aumento das despesas relacionadas à judicialização. O Ebitda ajustado caiu 28% na comparação anual, para R$ 504 milhões, enquanto o lucro líquido ajustado ficou em R$ 13 milhões. Além disso, a forte pressão sobre a geração de caixa e o avanço das provisões cíveis reforçaram a cautela dos investidores em relação à recuperação da rentabilidade da companhia.

A Braskem (BRKM5) recuou 17,00% na semana. O desempenho foi pressionado pelas incertezas em torno da reestruturação da dívida da companhia, apesar dos resultados operacionais fortes apresentados no segundo trimestre de 2026. As preocupações se concentraram no prazo para um acordo com os credores, diante do término da proteção judicial previsto para 24 de agosto, aumentando a percepção de risco em relação à estrutura de capital da empresa e pressionando as ações.

A RD Saúde (RADL3) recuou 13,30% na semana. O desempenho refletiu a cautela dos investidores com os possíveis impactos da maior concorrência no mercado de medicamentos GLP-1 sobre as margens da companhia, diante da entrada de produtos similares com preços mais baixos. Além disso, a perspectiva de juros elevados por mais tempo manteve o custo de capital em níveis elevados, contribuindo para pressionar as ações.

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