Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana 

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

A semana foi marcada pela chamada “Super-Quarta”, com as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária. Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. 

Além das decisões dos bancos centrais, os investidores acompanharam os desdobramentos da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do encontro como representante de um dos países convidados e realizou reuniões bilaterais com líderes de Japão, Egito, Ucrânia, França e União Europeia. 

Em meio a esse cenário, o mercado brasileiro reagiu às sinalizações de política monetária e aos eventos internacionais, refletindo-se no desempenho das ações que compõem o Ibovespa ao longo da semana. 

Maiores altas 

Embraer (EMBJ3) liderou os ganhos com valorização de 8,72%. A fabricante de aeronaves foi impulsionada por uma série de notícias favoráveis: o parlamento grego aprovou a aquisição de aeronaves C-390, surgiu a possibilidade de a empresa instalar uma unidade de produção militar na Índia, condicionada ao êxito em uma licitação local, e a companhia indicou que os recorrentes problemas nos motores da família E2 estão praticamente solucionados. A Embraer também anunciou o pagamento de juros sobre capital próprio no valor bruto total de R$ 200 milhões, equivalentes a R$ 0,281 por ação ordinária, referentes ao segundo trimestre do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2026, com imputação aos dividendos obrigatórios do ano. 

Weg (WEGE3) avançou 5,98% após comunicar o pagamento de R$ 438 milhões em juros sobre capital próprio, o que corresponde a R$ 0,104424242 por ação antes da incidência de 17,5% de imposto de renda retido na fonte, resultando em R$ 0,08615 líquidos por papel. O crédito será realizado em março do próximo ano para os acionistas registrados na base da companhia ao fechamento do pregão desta sexta-feira (19). 

Caixa Seguridade (CXSE3) registrou alta de 5,59%. Além de divulgar o relatório de desempenho comercial referente a abril de 2026, contemplando seguros, previdência e capitalização, a empresa aprovou a distribuição de R$ 1,05 bilhão aos acionistas, equivalente a R$ 0,35 por ação e representando 91,9% do lucro gerencial do primeiro trimestre de 2026. O pagamento ocorrerá em 17 de agosto, com data de corte fixada em 3 de agosto. 

A Cosan (CSAN3) fechou a semana com ganho de 4,49% impulsionada pelas expectativas de avanço no programa de venda de ativos e redução do endividamento da companhia. O mercado também reagiu positivamente à estratégia de simplificação da estrutura da holding, com foco na monetização de participações em negócios como Radar, Compass e Rumo.

Maiores quedas 

Braskem (BRKM5) sofreu o tombo mais expressivo, com recuo de 17,58%. A Justiça Federal em Alagoas aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra a petroquímica, tornando-a ré em ação penal relacionada ao afundamento do solo em cinco bairros de Maceió, episódio que forçou a realocação de aproximadamente 60 mil moradores. Ex-executivos e técnicos ligados à atividade minerária também figuram como alvos do processo. 

Usiminas (USIM5) recuou 15,48%, sem nenhum fato específico da empresa como gatilho. O movimento reflete uma rotação setorial em curso: investidores reduziram a exposição a companhias vinculadas ao ciclo de commodities e migraram para ações mais sensíveis à queda dos juros futuros, favorecidas por sinais de possível distensão nas tensões entre Estados Unidos e Irã. 

Cosan (CSNA3) caiu 13,06%. A companhia anunciou a alienação de parte do portfólio agrícola da Radar por R$ 1,85 bilhão, dentro de uma estratégia voltada à redução de alavancagem e simplificação da carteira de ativos. A conclusão da operação está condicionada ao cumprimento de condições precedentes habituais. Em paralelo, a CSN (CSNA3) avançou na venda de seus ativos de infraestrutura, incluindo participação na ferrovia MRS Logística, os terminais Tecar e Tecon em Itaguaí e a transportadora Grupo Tora. 

Natura (NATU3) encerrou o período entre as maiores baixas com queda de 12,38%, pressionada por um risco corporativo de curto prazo que preocupa investidores. O principal ponto de atenção é o prazo de 30 de junho de 2026 para que a Advent International exerça sua opção de saída antecipada de um compromisso de aquisição de entre 8% e 10% das ações da companhia ao preço de referência de R$ 9,75 por ação. Com os papéis sendo negociados abaixo desse patamar, analistas alertam que uma eventual retirada da Advent eliminaria o que o mercado interpretava como um suporte informal para a cotação, expondo as ações a uma reprecificação pelos fundamentos atuais da empresa. 

A semana foi marcada por movimentos distintos entre os setores. Enquanto Embraer e Weg avançaram apoiadas por notícias corporativas e anúncios de proventos, empresas ligadas a commodities e à atividade doméstica sofreram maior pressão. O corte da Selic segue no radar dos investidores e pode beneficiar setores mais sensíveis aos juros, embora fatores específicos de cada companhia continuem influenciando o desempenho das ações.

Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.

 

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques da semana

Veja os principais eventos da semana e suas possíveis consequências: Segunda-feira (22/06) 08:30 – Brasil Boletim FocusO Banco Central do Brasil divulgará o Boletim Focus

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.