O banco central do Japão entregou aos investidores uma surpresa de final de ano, mas o mercado não gostou do presente.
A instituição manteve a taxa básica de juros do país negativa, em -0,1% ao ano, o que era esperado pelos especialistas. No entanto, afrouxou a política de controle das taxas de juros de longo prazo – o que estava fora do roteiro.
Desde 2016 o banco central japonês usa um sistema que limita a variação dos juros de 10 anos do país a um intervalo que vai de -0,25% a +0,25% ao ano. Com a decisão recente, porém, este limite aumentou, passando para o intervalo de -0,50% a +0,50% ao ano.
O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, negou que a mudança signifique um passo na direção de juros maiores no país. No entanto, o mercado agiu como se assim fosse.
“Apesar de Kuroda tentar explicar que isso não foi um aumento de juros, o iene se fortaleceu em relação ao dólar, ao euro e à libra”, disse o Rabobank em um relatório, mencionando um movimento do mercado de câmbio que, em geral, acontece quando o mercado espera alta nos juros.
O banco holandês ING disse que a decisão do banco central do Japão prejudicou a credibilidade da instituição, já que a mudança não havia sido sinalizada previamente.
A bolsa do Japão também reagiu como se a decisão do banco central significasse um aumento dos juros, e fechou em baixa de 2,46%. Outros mercados asiáticos também tiveram um dia negativo, com o índice Xangai Composto, da China, recuando 1,07%, e o Hang Seng, de Hong Kong, caindo 1,41%.
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