Inflação dos EUA sobe 0,1% em dezembro e gastos com consumo caem

Queda maior do que a projetada nas despesas com consumo reduziu alta de títulos americanos

Foto: Shutterstock/Pla2na

A inflação americana medida pelo PCE (Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal) subiu 0,1% em dezembro, com o núcleo do indicador, que exclui itens voláteis como energia e alimentos, avançando 0,3%. Na comparação anual, o avanço do núcleo foi de 4,4%, em linha com o esperado pelo mercado.

Os dados, que foram divulgados pelo escritório de estatísticas dos Estados Unidos nesta sexta (27), mostraram ainda que os gastos dos americanos com despesas pessoais caíram 0,2% na comparação com novembro, uma queda maior que a projetada.

Após a divulgação, a alta dos títulos públicos dos EUA (treasuries) com vencimento em dois e três anos se reduziu – esses papeis passaram a subir 0,55% e 0,65%, de 0,90% e 1,53%, respectivamente, antes da divulgação.

Os índices futuros americanos reduziram a queda. Por volta das 10h45, o Dow Jones subia 0,05%, o S&P 500 caíra 0,24% e o Nasdaq caía 0,39% (antes do dado sair, os índices caíam 0,05%, 0,34% e 0,56%, respectivamente).

O número quase não mexeu com as expectativas do mercado para o próximo encontro do Federal Reserve, na semana que vem, com 99% dos investidores precificando uma redução no passo do aumento de juros para 0,25 ponto, segundo o CME Group.

“Em geral, o PCE confirmou uma tendência benigna para o Federal Reserve, que já tínhamos visto no CPI [índice de preços ao consumidor]”, apontou Lucas Zaniboni, analista especializado em economia internacional da Garde Asset Management.

De acordo com ele, o núcleo da inflação americana de bens já está rodando próximo à meta de inflação do Fed, enquanto que o núcleo de serviços manteve a alta registrada em novembro.

“Tudo caminha para o Federal Reserve elevar a taxa básica americana mais duas vezes em 0,25 ponto e parar. Esse é o nosso cenário”, apontou.

Na avaliação de Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, os dados divulgados hoje mostram que a inflação de bens não é mais um problema, e que o principal foco passa a ser a inflação de serviços.

“Em nossa visão, o mercado de trabalho aquecido manterá a inflação elevada por algum tempo”, apontou. “O Federal Reserve deve seguir com mais ajustes na taxa de juros no primeiro trimestre deste ano. Acreditamos que a taxa terminal de juros deve alcançar o pico em 2023, ficando no intervalo entre 5% e 5,25%, com cortes apenas em 2024.”

Pouso suave?

Ontem, o PIB americano do quarto trimestre surpreendeu após mostrar uma alta de 2,9%, uma desaceleração em relação ao dado do terceiro trimestre, uma atividade mais aquecida do que o projetado pelo mercado.

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O sentimento de otimismo com um pouso suave da economia americana (um cenário que evitaria juros ainda mais altos no final deste ano) fez as bolsas à vista fecharem em alta nos EUA ontem.

Hoje, os investidores ainda acompanham dados de confiança do consumidor americano da Universidade de Michigan, que serão informados às 12h.

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