Grupo Mateus (GMAT3) atinge taxa de aluguel recorde com pressão após ação da Receita Federal 

Fonte: Shutterstock/NVS my world

O Grupo Mateus (GMAT3), uma das maiores varejistas das regiões Norte e Nordeste do Brasil, registrou em 27 de abril de 2026 a maior taxa média de aluguel de ações de sua história, ao atingir 33,81%. O movimento sinaliza forte pressão vendedora sobre o papel, tendo como principal gatilho a recente ofensiva da Receita Federal sobre o uso de créditos de PIS/Cofins. 

A companhia já atravessava um período mais desafiador, após divulgar resultados abaixo do esperado no quarto trimestre de 2025. No 4T25, as vendas em mesmas lojas (SSS) do atacarejo recuaram 5,5%, refletindo um ambiente de consumo mais fraco e impactando a geração de receita. O EBITDA ajustado (pré-IFRS 16) somou R$ 508,3 milhões, com queda de 6,1% na comparação anual. 

Ainda assim, o principal vetor para a alta da taxa de aluguel foi a notificação da Receita Federal a cerca de 3 mil empresas, incluindo o Grupo Mateus, por inconsistências na utilização de créditos de PIS/Cofins. O órgão identificou irregularidades em mais de 55 mil pedidos de compensação e ressarcimento, com maior impacto sobre o varejo alimentar. As inconsistências estão ligadas, sobretudo, à geração de créditos sem respaldo legal, especialmente em operações nas quais não houve recolhimento prévio dos tributos, como em produtos com alíquota zero ou tributação concentrada. 

Para o Grupo Mateus, o risco é considerado mais elevado, já que a companhia reconhece esses créditos diretamente em seus resultados, incorporando-os nas projeções de margem bruta. Dessa forma, eventuais questionamentos ou reversões por parte do fisco podem pressionar diretamente as estimativas operacionais e financeiras. 

Analistas do JPMorgan destacaram o impacto negativo para o setor, apontando Assaí (ASAI3) e o Grupo Mateus entre as empresas mais expostas a esse tipo de estratégia. Apesar disso, o banco avalia que, diante do cenário atual, as companhias devem priorizar a preservação de caixa e discutir a tese tributária nas esferas administrativa e judicial, evitando desembolsos imediatos. 

A Receita Federal estabeleceu prazo até 30 de junho de 2026 para a regularização das informações. Caso as inconsistências não sejam sanadas, as empresas podem enfrentar rejeição de créditos, devolução de valores compensados, aplicação de multas e disputas prolongadas.

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