A Moura Dubeux (MDNE3) é uma empresa do setor de construção civil, atuante em todas as fases da atividade de incorporação imobiliária, voltada ao segmento de luxo e alto padrão. A expectativa poderia ser de que a empresa superará a crise anunciada em 2022 de forma leve, afinal, seu público tende a sentir pouco uma recessão econômica.
Porém, não é o observado nos últimos meses. O ciclo de alta da taxa básica de juros da economia impactou toda e qualquer empresa do setor, e com a Moura Dubeux não foi diferente. Isso ocorreu mesmo com a companhia tendo um ótimo desempenho operacional. A prévia operacional do quarto trimestre de 2021 mostrou que o ano passado foi o melhor da história da Moura Dubeux em volume de vendas.
O número de unidades lançadas mais que dobrou e o VGV (Valor Geral de Vendas) líquido ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez.
Este ritmo forte continuou no início deste ano, segundo o executivo-chefe da Moura Dubeux, Diego Villar. Ao TradeMap, ele ressaltou que a empresa vem registrando um bom volume de vendas – em janeiro praticamente dobrou o resultado obtido no mesmo período de 2021, e fevereiro começou com “alta temperatura”.
Pé no acelerador
As dúvidas em torno do cenário econômico – dadas as perspectivas de aumento nos juros e a redução nas previsões para o crescimento da atividade -, somadas à proximidade do período eleitoral, trazem volatilidade ao mercado financeiro e poderiam levar as empresas do ramo imobiliário a tirar o pé do acelerador.
Neste momento, a prioridade das empresas tem sido lançar empreendimentos com alta diligência, para que as margens e a sustentabilidade do caixa das companhias sejam mantidas. Quando a poeira baixar, a tendência é que os principais players do mercado voltem à ativa. A Moura Dubeux, porém, já chegou a esta fase.
Segundo Villar, no final do ano passado a companhia chegou a limitar os lançamentos de empreendimentos, trabalhando em vários projetos, mas decidindo que eles só seriam levados ao mercado caso houvesse demanda.
“Isso está acontecendo exatamente assim. Se desaceleramos no quarto trimestre para poder manter o foco de alta velocidade de vendas, no primeiro trimestre deste ano ano começamos com o pé no acelerador bem embaixo”, disse ele. “Não temos nenhum dado que nos diga que temos que desacelerar lançamentos. Esse ano já lançamos mais de R$ 300 milhões.”
Alta de juros preocupa pouco
O executivo-chefe ressaltou que o aumento da taxa básica de juros desde março do ano passado, saindo de uma mínima histórica de 2% ao ano para quase 11% atualmente, não será um grande obstáculo ao setor imobiliário.
“O mercado imobiliário sempre conviveu com taxas de juros relativamente altas. Não nos patamares dos dois dígitos, mas ao patamar que está hoje”, disse Villar. Ele acrescentou que, como a perspectiva no momento é de que o ciclo de alta dos juros termine com a taxa perto de 12%, o que implicaria em financiamento imobiliário com juros entre 8,5% e 9,5%.
“Isso mantém o mercado imobiliário extremamente aquecido. Não tem dúvida”, disse ele. “Eu honestamente não tenho tanta preocupação sobre este aspecto porque é o histórico do mercado imobiliário.”
Valor das ações
Ao longo de 2021, as ações da Moura Dubeux perderam metade de seu valor, e Villar acredita que isso se deve a um erro de precificação por parte do mercado. “A gente está valendo praticamente metade do patrimônio da empresa”, disse ele.
O executivo disse que o setor imobiliário está “fora de moda” entre os investidores institucionais, mas que a Moura Dubeux é uma oportunidade de investimento.
“Você olha uma incorporadora que tem liderança e dominância na região, cujo estoque é baixo, tem capacidade operacional de desenvolver que já provou ser forte, com uma velocidade de vendas muito alta, banco de terrenos que aumentou, com vendas que iniciam o ano mais forte do que começaram ano passado, e que gerou caixa e deu lucro”, afirmou. “Não tenho dúvida que essa ação vai voar bastante”, acrescentou.
Você pode assistir a íntegra da entrevista do TradeMap com Villar clicando aqui.