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Alta de juros deve pressionar margens de Stone (STNE) e PagSeguro (PAGS), diz Goldman Sachs, que rebaixa recomendações

Alta de juros deve pressionar margens de Stone (STNE) e PagSeguro (PAGS), diz Goldman Sachs, que rebaixa recomendações

Banco passou a ter recomendação neutra para ambas as ações e manteve recomendação de venda para a Cielo

Stone Divulgacao

Foto: Divulgação

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O aumento da taxa de juros no Brasil deve aumentar as despesas financeiras e diminuir a margem de lucro das empresas de pagamentos, na visão do Goldman Sachs. Em relatório distribuído nesta quinta-feira (27), a equipe de analistas do banco rebaixou sua recomendação para as ações de Stone (STNE) e PagSeguro (PAGS) para neutra, de compra.

O Goldman Sachs reconheceu que anteriormente esperava um impacto menor dos juros sobre estas companhias e que por isso estava recomendando a compra dos papéis e tinha preços-alvo muito elevados.

Atualmente, o banco prevê que a taxa básica de juros (Selic) atingirá 11,75% no primeiro trimestre e começará a ser reduzida no quarto trimestre deste ano. Considerando esta trajetória para os juros e a expectativa de resultados mais fracos das empresas de pagamentos nos últimos meses de 2021, o Goldman reduziu o preço-alvo da ação da Stone de US$ 37 para US$ 19; o da PagSeguro de US$ 60 para US$ 27; e o da Cielo (CIEL3) de R$ 2,90 para R$ 2,20.

Segundo os analistas, parte do impacto da alta na Selic nas empresas de pagamento deve ser transitório e pode diminuir conforme elas ajustam os preços de seus produtos. No entanto, as margens de lucro devem ser comprimidas pelos juros mais altos, e esta compressão pode ser agravada por um ambiente competitivo cada vez mais feroz no setor. As consequências, porém, variam de empresa para empresa.

Stone

A expectativa do Goldman é que a Stone seja a empresa mais impactada devido a seu nível de dívida, superior ao de seus pares, à recente aquisição da Linx e ao crescimento limitado do negócio de crédito. As despesas financeiras da empresa podem subir em duas frentes: no negócio de pré-pagamentos e na dívida.

A previsão é de que a margem ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Stone caia para 14,4% no quarto trimestre, de 19,6% nos três meses anteriores. O lucro líquido deve somar R$ 49 milhões, queda de 63% ante o terceiro trimestre e de 87% contra os três últimos meses de 2020.

Os analistas acreditam que a Stone enfrentará obstáculos para expandir o lucro devido à suspensão da originação de crédito, o que adia a monetização deste negócio, e a dificuldades da empresa em repassar o aumento das despesas financeiras para os preços.

O Goldman Sachs prevê que a Stone reportará aumento na participação de mercado no último trimestre de 2021, mas que outros números serão decepcionantes. A receita da companhia deve crescer por causa de um aumento no volume de pagamentos processados, mas os investimentos em recebíveis e o custo de processamento de dados, por exemplo, devem elevar as despesas.

Os principais fatores que podem levar a empresa a registrar uma performance melhor do que a esperada, segundo o banco, são take rates (percentual de ganhos sobre transações) acima do previsto no negócio de pré-pagamentos, retomada da originação de crédito e potenciais sinergias e crescimento de volumes vindos da integração com a Linx.

Por outro lado, os principais riscos para a empresa são um aumento na concorrência no segmento de pequenos e médios negócios, levando a pressão nas take rates; despesas maiores do que as esperadas; falhas de execução em novos produtos e serviços; e maior pressão nos volumes.

PagSeguro

A PagSeguro pode sofrer impactos de aumento nos custos de depósito e no negócio de pré-pagamentos, segundo o Goldman Sachs. Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2021, a gestão da empresa afirmou que cada aumento de 100 pontos-base (ou 1 ponto porcentual) na taxa de juros pode elevar as despesas financeiras em R$ 90 milhões a R$ 100 milhões por ano.

Os analistas do Goldman Sachs acreditam que a PagSeguro também enfrentará desafios na reprecificação, especialmente no braço de pré-pagamentos. No entanto, mantiveram boas perspectivas para o crescimento do TPV (volume total de pagamentos), de 36% em 2022, e para o PagBank, que deve alcançar breakeven (ponto em que a receita se iguala às despesas) até o fim de 2022.

Para o quarto trimestre de 2021, a previsão é de margem ebitda de 36%, ante 34% no trimestre anterior, beneficiando-se do negócio de desconto de recebíveis. No geral, a expectativa é de contração de 4% no lucro líquido recorrente em relação ao trimestre anterior, e de 6% na comparação anual, para R$ 402 milhões.

Uma performance melhor do que a prevista, segundo os analistas, poderia ser causada por take rates melhores do que o esperado no negócio de pré-pagamentos; crescimento e monetização melhores do que os projetados para o PagBank; e aumento nos volumes devido ao segmento de pequenos e médios negócios.

Por outro lado, fatores como maior concorrência, crescimento mais fraco do que o esperado nos volumes, falhas de execução em novos produtos e serviços e a regulação sobre taxas de intercâmbio em cartões pré-pagos poderiam levar a uma performance inferior à prevista.

O Goldman Sachs reduziu a estimativa de lucro da PagSeguro em 5% para 2021, 29% para 2022 e 32% para 2023. Apesar disso, vê menos riscos internos para a PagSeguro do que para a Stone no curto prazo.

Cielo

A Cielo teve sua recomendação de venda mantida pelo Goldman Sachs e deve sofrer de aumento nos custos do negócio de pré-pagamento e da dívida. A redução nas expectativas de lucro, porém, foi a menor, visto que as premissas do banco para a companhia eram mais conservadores. A projeção foi reduzida em 1% para 2021, 13% para 2022 e 15% para 2023.

Para o quarto trimestre de 2021, o Goldman Sachs espera aumento de 4% na receita em relação ao terceiro trimestre e de 12% na comparação com o último trimestre de 2020, como reflexo de um maior volume nas operações com cartão de crédito.

A margem ebitda deve cair para 21,7%, devido ao aumento nas despesas, e o lucro líquido recorrente deve atingir R$ 213 milhões, estável na comparação trimestral e 19% menor em relação ao quarto trimestre de 2020.

Os principais riscos de uma performance superior às expectativas, segundo o banco, são maiores volumes vindos da parceria com o WhatsApp e uma recuperação mais rápida das margens.

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