Em meio às indefinições no cenário internacional, Ibovespa encerra maio em forte queda

Fonte: Shutterstock/casa.da.photo

O mês de maio foi marcado pela combinação entre tensões geopolíticas persistentes, deterioração das expectativas inflacionárias e sinais de desaceleração da atividade global. No centro das atenções esteve novamente o conflito no Oriente Médio, com a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz mantendo o petróleo em patamares elevados e ampliando a volatilidade das commodities energéticas. O cenário continuou pressionando os preços globais e impondo maior cautela às autoridades monetárias. Ao longo do mês, investidores também monitoraram sinais moderados de distensão após negociações entre Estados Unidos e Irã, além do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que trouxe uma trégua diplomática momentânea e reduziu parte das preocupações relacionadas ao comércio global.

No cenário doméstico, a economia brasileira apresentou crescimento acima das expectativas no primeiro trimestre. O PIB avançou 1,1%. Apesar do resultado positivo, o ambiente macroeconômico seguiu pressionado pela inflação. O IPCA de abril subiu 0,67%, registrando o maior resultado para o mês desde 2022, enquanto o IPCA-15 de maio avançou 0,62%, acumulando alta de 4,64% em 12 meses e ultrapassando pela primeira vez no ano o teto da meta de inflação. No mercado de trabalho, a taxa de desocupação ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril. Embora tenha apresentado alta na margem por questões sazonais, o resultado ainda refletiu melhora em relação ao ano anterior, acompanhada pela redução da informalidade e pelo avanço da renda média.

Nos Estados Unidos, a segunda leitura do PIB mostrou crescimento anualizado de 1,6% no primeiro trimestre, abaixo das expectativas do mercado, reforçando a percepção de desaceleração gradual da economia americana em um ambiente ainda marcado por inflação persistente e juros elevados.

Nesse ambiente de elevada complexidade macroeconômica e geopolítica, o Ibovespa encerrou o mês de maio aos 173.787 pontos, registrando o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023 e a pontuação mais baixa desde o fim de janeiro. O movimento refletiu a combinação entre aversão global ao risco, deterioração das expectativas para inflação e juros e maior cautela dos investidores diante das incertezas no cenário internacional.

Entre as principais altas do mês, se destacaram:


Usiminas (USIM5) 

Como a maior valorização do mês, com alta de 33,66%, a Usiminas destacou-se pela forte reprecificação de suas ações após divulgar resultados acima das expectativas no 1T26. O mercado reagiu positivamente ao crescimento do lucro e do EBITDA, além da melhora das margens na divisão de aço. A expectativa de recuperação dos preços do aço plano no mercado doméstico, aliada às medidas antidumping contra produtos importados, especialmente da China, reforçou a percepção de que a companhia poderá se beneficiar de um cenário mais favorável para o setor siderúrgico brasileiro. No ano, o ativo acumula uma valorização de 86,22%.

Braskem (BRKM5)

A Braskem registrou valorização de 14,32% no mês, impulsionada pela melhora das perspectivas para o setor petroquímico global. O mercado reagiu positivamente à expectativa de recuperação dos preços e das margens da indústria, diante das restrições de oferta observadas em importantes polos produtores internacionais. Além disso, a perspectiva de incentivos para a indústria química brasileira e os avanços na governança corporativa da companhia reforçaram o otimismo dos investidores, contribuindo para o desempenho positivo das ações ao longo de maio. 

Ambev (ABEV3)

A Ambev apresentou alta de 12,47% no mês, impulsionada pelos resultados acima das expectativas no 1T26. A companhia registrou crescimento da receita, expansão das margens operacionais e forte geração de caixa, refletindo uma combinação de melhor precificação dos produtos e avanço das marcas premium. Além disso, a capacidade de sustentar reajustes de preços sem perda relevante de volume reforçou a percepção de maior eficiência operacional e de continuidade na geração de valor, contribuindo para o otimismo dos investidores ao longo de maio. 

Lojas Renner (LREN3)

A Lojas Renner registrou valorização de 9,56% no mês, impulsionada pelos resultados positivos apresentados no 1T26. A companhia reportou crescimento do lucro líquido, expansão das margens e forte geração de caixa, além de avanços na eficiência operacional e na gestão de estoques. O mercado também reagiu positivamente ao desempenho da operação de vestuário, que apresentou crescimento nas vendas e maior rentabilidade, reforçando a percepção de solidez do modelo de negócios da varejista.

Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3)

A Companhia Siderúrgica Nacional registrou valorização de 7,70% no mês, beneficiada pela melhora da percepção do mercado em relação ao setor siderúrgico brasileiro. A companhia divulgou resultados do 1T26 acima das expectativas, com desempenho mais forte nas divisões de mineração e cimento, além de avanço no processo de redução da alavancagem financeira. Adicionalmente, as expectativas de recuperação das margens no segmento de aço e os possíveis efeitos positivos das medidas de defesa comercial contra produtos importados contribuíram para reforçar o otimismo dos investidores em relação às perspectivas da empresa ao longo de maio.

Entre as principais baixas do mês, se destacaram:


Magazine Luiza (MGLU3)

A Magazine Luiza apresentou queda de 27,34% no mês, refletindo um cenário operacional e macroeconômico desafiador para o setor de varejo. A companhia reportou prejuízo no 1T26, com resultados abaixo das expectativas do mercado, pressionados pela desaceleração do consumo, pela demanda mais fraca em categorias discricionárias e pela redução da rentabilidade. Além disso, os juros elevados continuam impactando o desempenho do setor, reforçando a cautela dos investidores em relação às perspectivas de curto prazo da companhia.

Cosan (CSAN3)

A Cosan apresentou queda de 24,90% no mês, refletindo as preocupações do mercado com o elevado nível de endividamento da companhia e as incertezas em relação ao seu processo de desalavancagem. Além disso, a possibilidade de venda de participações relevantes, como a fatia na Raízen, e as discussões sobre uma eventual simplificação da estrutura societária aumentaram a percepção de risco por parte dos investidores. Embora o IPO da Compass tenha contribuído para reforçar o caixa da holding, o mercado permaneceu cauteloso diante dos desafios financeiros e estratégicos que a empresa ainda enfrenta.

Vamos (VAMO3)

A Vamos apresentou queda de 22,73% no mês, refletindo a reação negativa do mercado aos resultados do 1T26. Apesar do crescimento da receita e do avanço da taxa de ocupação da frota, a companhia registrou queda de 20% no lucro líquido, pressionada pelo elevado endividamento, maiores despesas financeiras e redução da rentabilidade. Além disso, o cenário de juros elevados continuou impactando os resultados da empresa, enquanto as incertezas relacionadas ao ritmo de desalavancagem e à geração de valor em um ciclo de crescimento mais moderado contribuíram para o desempenho negativo das ações ao longo de maio.

Axia Energia (AXIA6)

A Axia Energia apresentou queda de 17,07% no mês, refletindo a reação negativa do mercado após a divulgação dos resultados do 1T26. Apesar de reportar números recordes impulsionados pelos elevados preços da energia elétrica, os resultados vieram abaixo das expectativas mais otimistas dos investidores, especialmente em relação ao EBITDA e às perspectivas de geração de caixa futura. Além disso, a revisão para baixo das projeções de preços de energia no curto prazo e as incertezas relacionadas à remuneração de ativos de transmissão após decisão judicial contribuíram para aumentar a cautela do mercado, pressionando as ações ao longo de maio.

Sabesp (SBSP3)

A Sabesp apresentou queda de 15,69% no mês, mesmo após divulgar resultados sólidos no 1T26. A companhia registrou crescimento da receita, expansão do EBITDA e avanço de 32% no lucro líquido, impulsionados pelo reajuste tarifário, controle de custos e ganhos de eficiência após a privatização. Apesar do desempenho operacional positivo, os investidores mantiveram cautela em relação aos desafios e investimentos necessários para sustentar a estratégia de expansão da companhia, incluindo novas aquisições e oportunidades de crescimento no setor de saneamento.


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