Aqui está, saindo quentinha do forno, mais uma edição da TradeLetter, a mais divertida newsletter de notícias do mercado financeiro.
Nesta edição, vamos olhar em retrospecto para tudo que de mais interessante aconteceu na última semana. Bora lá?
E os troféus de maiores altas e maiores baixas do ano vão para…

🥇 EMBR3 = +48,28%
🥈 RRRP3 = +34,51%
🥉 PETZ3 = +27,34%

👎 BHIA3 = -52,20%
👎👎 MRVE3 = -40,61%
👎👎👎 CVCB3 = -40,00%
Principais índices

IBOV = -5,71%
IDIV = -4,41%
IFIX = +1,67%
Dow Jones = +1,46%
S&P-500 = +6,92%
Nasdaq = +6,11%
Dólar Ptax = +5,72%
*Dados do ano até o fechamento de 26/04/2024.
Agora, sem mais delongas, vamos ao que interessa!

Selic em xeque

Em discurso, na quinta-feira (18), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, parece, segundo a percepção de especialistas, ter dado um banho de água fria no mercado quanto à trajetória da taxa Selic para a próxima reunião do Copom, marcada para maio.
Embora nada tenha ficado explícito, na opinião do mercado, Campos Neto deu uma escorregada aqui e acolá, dando a entender que houve um aumento nas chances de o Copom não cumprir o Foward Guidance — economês para “o que faremos a seguir” — delineado na reunião de março.
Segundo previsto na última reunião, a expectativa era de mais um corte de 0,50 p.p. na reunião de maio, mas, à luz do discurso, o mercado já começa a se descabelar e reduzir suas projeções para 0,25 p.p.
A justificativa dada por parte dos economistas e especialistas do mercado é a de que houve uma piora do cenário macroeconômico justificada pelo fortalecimento do dólar, a percepção de que o Federal Reserve (Fed) tem menos espaço para cortes e os eventos recentes na conjuntura fiscal doméstica.
De acordo com Campos Neto, esse cenário até poderia melhorar, fornecendo assim sustentação para um corte de 0,50 p.p., mas o grande problema é temos poucos dias até a próxima reunião, que será realizada nos dias 7 e 8 de maio.
As projeções do Boletim Focus para Selic no fim de 2024 e 2025 também foram revisadas. A expectativa do mercado é que ao fim desse ano a taxa esteja em 9,5% a.a, e não mais em 8,5% a.a, conforme previsto até 4 semanas atrás. Já para o fim de 2025, a projeção também foi alterada para 9% a.a, diferindo também dos 8,5% a.a de 4 semanas atrás. As projeções para 2026 e 2027 permanecem inalteradas, na casa dos 8,5% a.a.
Será que realmente entrou água nessa história de cortes da Selic?
Pode ir todo mundo tirando o cavalinho da chuva…

Já dizia o Racionais MC’s: “a confiança é uma mulher ingrata. Que te beija e te abraça, te rouba e te mata.”
Saímos de 2023 confiando em um 2024 nada menos que promissor para a bolsa brasileira, e aqui estamos nós, chegando ao fim de abril, com uma queda de quase 7% no ano no índice Ibovespa.
Como resposta a esse movimento, o mercado começa a, com razão, reduzir suas expectativas quanto à performance da bolsa brasileira para esse ano.
Na opinião do Sr. Mercado, boa parte dos fundamentos macroeconômicos que sustentavam projeções otimistas para 2024 já foram para o saco.
A primeira pedra no sapato são os juros americanos. Como já mencionado aqui, o índice de preços ao consumidor (Consumer Price Index) dos EUA vem, mês a mês, acima das projeções. Isso tem tornado particularmente desafiadora a missão dos membros do Fed de baixar a taxa de juros. E assim o humor do mercado só piora à medida que a possibilidade de que o ciclo de afrouxamento monetário vai sendo postergado. “Vai ser em junho. Não; será em julho. Não; é setembro, agora vai…” E nunca vai!
O outro problemão é o fiscal. As falas de Haddad quanto à alteração da meta de superávit primário de 0,5% do PIB em 2025 para déficit zero desceram secas goela abaixo.
A mudança, de acordo com especialistas, é uma verdadeira pá de cal no novo arcabouço fiscal, já desacreditado entre economistas e analistas devido à dependência do aumento de receita sem contrapartida de corte de gastos.
Como resultado dessas incertezas em relação ao futuro das taxas de juros nos EUA e no Brasil, além de todo esse disse-me-disse do fiscal, aquelas projeções fantabulosas para o Ibovespa feitas no início do ano começam a ficar mais difíceis de serem alcançadas.
Só para colocar em perspectiva, de acordo com a última edição da pesquisa “LatAm Fund Manager Survey”, desenvolvida pelo Bank of America (BofA), o percentual dos agentes de mercado que veem o Ibovespa acima de 140 mil pontos no fim deste ano caiu de 36% em março para 28% em abril. Falar-se em IBOV dos acima dos 150 mil pontos então, como foi aventado no início do ano, se tornou coisa de maluco.
Como diria o querido Clodovil, “essa festa viro um enterro”…

Final feliz

Lembra de toda aquela história de dividendos extraordinários que começou lá em março? Pois é. Ontem essa novela acabou. E com um final feliz!
Os acionistas da Petrobras aprovaram nesta quinta-feira (25) o pagamento de 50% dos dividendos extraordinários possíveis do exercício de 2023. O montante a ser pago foi da ordem de R$ 21,9 bi.
A Petrobras teve lucro de R$ 124,6 bilhões em 2023, o segundo maior lucro de sua história. Essa soma permitiria o pagamento de dividendos extraordinários da ordem de R$ 43,9 bilhões, caso 100% do montante fosse pago.
Ainda assim, até chegarem nesse consenso rolou muita treta, a tal ponto de o presidente-executivo da estatal, Jean Paul Prates, ficar ameaçado de demissão pelos integrantes do conselho.
Apenas para recapitulação, Inicialmente, em uma reunião em março, o conselho havia decidido reter 100% dos dividendos extras possíveis em uma reserva estatutária, manifestando preocupações com a capacidade de investimento da empresa.
A decisão de agora atende à recomendação da diretoria executiva da Petrobras, que desde o início defendeu este percentual.
No final deu tudo certo: os acionistas ficaram feliz e Prates manteve a cabeça sobre o pescoço.
PETR3 e PETR4 fecharam o pregão de ontem com valorização de 2,27% e 2,40%, respectivamente.
Imposto do pecado?

Parece até um termo extraído de alguma bula papal ou qualquer outro documento eclesiástico, mas na verdade é só um bem sugestivo nome para uma classe especial de tributo contido na proposta de reforma tributária.
O puritano imposto, proposto pelos governos federal e estaduais, prevê uma cobrança específica de impostos para cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, veículos poluentes e sobre extração de minério de ferro, de petróleo e de gás natural.
A proposta, que consta em projeto de regulamentação da tributação sobre o consumo, tem o “benevolente” objetivo de taxar de maneira diferenciada (e mais cara, óbvio, não é?) bens e serviços que sejam prejudiciais à saúde e ao meio ambiente em relação ao restante da economia.
Encaminhado ao Congresso Nacional, o texto prevê que o imposto incida uma única vez sobre o bem, eliminando assim o risco do “efeito cascata” da cobrança em mais de uma etapa da cadeia.
Ainda de acordo com o texto, caberá à Receita Federal administrar e fiscalizar o “imposto do pecado” — uma responsabilidade um tanto quanto divina, não?
Para passarem a valer, as novas regras previstas na reforma tributária precisam ser aprovadas nas duas casas legislativas. O texto depende do apoio da maioria absoluta da Câmara dos Deputados (ou seja, 257 dos 513 votos) e do Senado Federal (ou seja, 41 dos 81 votos disponíveis).
Apesar da controversa proposta, tenho de admitir: “imposto do pecado” é um bom nome. Tirou-me boas risadas matutinas. Só não posso dizer se pelo nome em si ou a imbecil proposta por trás…
Dale, hermanitos!

Nesta semana, o presidente argentino Javier Milei foi à televisão anunciar o primeiro superávit na economia da Argentina desde 2008. Sim, desde 2008.
Para alcançar o feito histórico, Milei precisou tomar medidas drásticas, desde cortar três quartos das transferências para governos provinciais a suspender quase 90% das obras públicas. Apesar do jeito excêntrico, dá para ver que o homem não estava de brincadeira com toda aquela história de motosserra.
Em seu pronunciamento, Milei disse:
“O superávit fiscal é a pedra angular a partir da qual estamos construindo uma nova era de prosperidade na Argentina. Estamos tornando possível o impossível, mesmo com a maioria dos políticos, dos sindicatos, dos meios de comunicação e a maioria dos agentes econômicos contra nós.”
Vindo de dois superávits mensais, a Argentina registrou um excedente fiscal trimestral de 0,2% do PIB no primeiro trimestre, após um terceiro superávit mensal em março. O economista libertário prometeu manter a austeridade porque “a inflação é um roubo e o déficit fiscal é a causa da inflação”.
Desde que assumiu o cargo, Milei desvalorizou o câmbio em mais de 50%, reduziu para metade o número de ministérios, eliminou centenas de controles de preços e começou a cortar subsídios à energia e aos transportes. Como resultado, a inflação mensal tem desacelerado consistentemente desde a máxima de três décadas de 26% em dezembro.
Por fim, Milei prometeu aos argentinos durante o discurso na televisão que seu sacrifício seria recompensado na forma de menos impostos no futuro.
Hora de dar tchau!

Por hoje é só, galerinha.
Vejo você na próxima sexta!
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