Copom reduz Selic para 14,00% ao ano, mantendo o ritmo de cortes adotado nas três últimas reuniões

Fonte: Shutterstock/Diego Grandi

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária iniciado em março e mantendo o ritmo de cortes adotado nas três últimas reuniões. Segundo o Banco Central, a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante da política monetária.

No cenário doméstico, a inflação segue como o principal foco de atenção da autoridade monetária. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 4,64% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta de inflação, de 4,50%. Apesar disso, os indicadores mais recentes apontam para uma desaceleração gradual das pressões inflacionárias, movimento que também se reflete nas expectativas do mercado. O Boletim Focus reduziu, pela quinta semana consecutiva, a projeção para a inflação de 2026, agora estimada em 5,03%.

O Copom também avaliou que a atividade econômica brasileira segue em processo de moderação gradual, embora permaneça resiliente, com sinais mistos entre os setores e um mercado de trabalho ainda aquecido. Ao mesmo tempo, destacou que as expectativas de inflação continuam acima da meta, exigindo uma condução cautelosa da política monetária.

No cenário internacional, o ambiente permanece marcado por elevada incerteza, especialmente em razão da indefinição dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas. Segundo o Banco Central, esse contexto amplia a volatilidade dos mercados financeiros e dos preços das commodities, exigindo cautela por parte das economias emergentes.

Embora o mercado continue projetando a Selic em 13,75% ao final de 2026, o Copom evitou sinalizar os próximos passos da política monetária. O Comitê reiterou que a magnitude total do ciclo de flexibilização será definida à luz da evolução dos indicadores econômicos e reafirmou que o atual ambiente de elevada incerteza, expectativas de inflação ainda desancoradas e riscos inflacionários elevados demanda serenidade e cautela para assegurar a convergência da inflação à meta.

 

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