Sofia Abreu Colunista TradeMap2

Por Sofia Abreu

Colunista de renda fixa da Agência TradeMap

Graduada em Direito e servidora pública desde 2012, já atuou como bancária do Banco do Brasil e atualmente é servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. Publica conteúdo financeiro em seu canal do Youtube – Servidor que Investe – e em seu instagram.

O topo da Selic e a possibilidade de travar um rendimento elevado

Renda Fixa x Poupanca

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No último dia 21 de outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom), órgão vinculado ao Banco Central, elevou a taxa básica de juros da economia, a chamada taxa Selic, em 1,5 ponto percentual, de 6,25% para 7,75% ao ano.

Com apenas mais uma reunião neste ano, marcada para os próximos dias 7 e 8 de dezembro, é esperado mais um aumento da mesma magnitude, ou seja, de 1,5 ponto percentual, com a Selic encerrando 2021 a 9,25% ao ano.

Para 2022, conforme expectativas de mercado divulgadas pelo Boletim Focus, ainda teremos novas elevações da Selic, que pode chegar a 11,25% ao ano.

E como esse aumento consistente da Selic ao longo dos meses impacta seus investimentos de renda fixa?

Primeiramente, é importante saber que essa subida da taxa, que vem sendo percebida gradualmente desde o primeiro semestre de 2021 (veja o gráfico da evolução da Selic), tem como um de seus objetivos controlar a inflação, medida por alguns indicadores, mas com referência no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Selic tm 1
Fonte: TradeMap

Contudo, a despeito dos sucessivos aumentos da Selic ao longo de 2021, esse ciclo de elevação dos juros ainda não foi suficiente para compensar as perdas geradas pela alta da inflação.

No momento em que escrevo esse artigo, temos uma taxa Selic de 7,75% ao ano e um IPCA acumulado nos últimos 12 meses de 10,67%, o que foge muito do centro da meta estipulado pelo Banco Central, de 3,75% em 2021.

Quando subtraímos uma inflação de 10,67% dos 7,75% da Selic anual temos, em termos aproximados, -2,92% de juro real. Dessa forma, para o atual patamar de inflação e taxa Selic, nós investidores temos uma perda do poder de compra de -2,92% ao ano caso mantivermos nosso dinheiro aplicado a uma taxa de juros próxima à da Selic.

Então, quando deixamos nosso dinheiro aplicado na poupança — que vai render 0,5% ao mês quando a Selic ultrapassar 8,5% ao ano –, no título público Tesouro Selic (que tem sua rentabilidade atrelada à taxa Selic) ou em um CDB que renda 100% do CDI (cuja taxa é muito próxima à da Selic), vemos que a rentabilidade anual a ser paga por esses investimentos, no cenário atual, não é capaz de repor totalmente as perdas geradas pela inflação.

Dessa forma, com o passar do tempo, o capital aplicado nesses tipos de investimento está de fato perdendo seu poder real de compra.

Contudo, um dos efeitos positivos para o investidor com o aumento da Selic é que, apesar de nos dias atuais os investimentos a ela atrelados não serem capazes de repor as perdas trazidas pela inflação, fato é que a elevação da inflação da Selic provoca um aumento de forma geral nos prêmios pagos pelos investimentos de renda fixa. Além disso, o aumento da Selic tem um efeito esperado de reduzir a escalada da inflação vista em 2021.

Ou seja, quanto mais a Selic aumenta, cresce a tendência de maior remuneração a ser paga pelos investimentos de renda fixa, o que os torna cada vez mais atrativos.

Além disso, a elevação da Selic tende a controlar a inflação, de forma que, num cenário futuro não muito distante, certamente deixaremos de ter investimentos de renda fixa como o Tesouro Selic ou os CDBs de liquidez diária apresentando rentabilidades reais negativas.

Com isso, o que podemos perceber é que, com o aumento da Selic, podemos constatar o aumento dos juros pagos pelos investimentos de renda fixa em geral (nos quais se incluem os títulos do Tesouro Direto, os CDBs, as LCIs, as LCAs e as debêntures), o que beneficia direta e imediatamente o investidor de renda fixa.

Assim, momentos como o atual, de franca escalada da Selic, abrem excelentes oportunidades na renda fixa, seja em investimentos pós-fixados atrelados ao CDI e ao IPCA, ou, sobretudo, nos produtos com rentabilidade prefixada.

Investir em papéis prefixados em momentos de mercado próximo ao topo da Selic (que segundo estimativas deve atingir os 11,25% ao fim de 2022) permite ao investidor “travar” a rentabilidade em patamares elevados. Isso significa que é possível garantir taxas reais positivas durante alguns anos, já que o aumento da Selic tende a provocar a queda do IPCA e a elevação dos prêmios pagos pela renda fixa.

Mas lembre-se: quanto mais longo é o prazo de vencimento do investimento, sobretudo dos prefixados, maior é o seu risco, o que deve ser levado em consideração pelo investidor.

*As opiniões, informações e eventuais recomendações que constem dos artigos publicados pela Agência TradeMap são de inteira responsabilidade de cada um dos articulistas. Os textos não refletem necessariamente as posições do TradeMap ou de seus controladores.

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