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Fábio Augusto Luiz Pina

Assessor econômico da FecomercioSP. Graduado em Economia pela FEA (USP) e Administração pela Universidade Mackenzie, e pós-graduado em Economia Política pela PUC (SP).

O economista também possui especialização em macroeconomia e estatística. Foi subsecretário de comércio e serviço do Ministério da Economia entre 2019/2020. Sócio Consultor da Scopus Consultoria, Análise e Pesquisa.

O varejo vai em frente, mas a que passo e até onde?

Imagem desfocada de um corredor de shopping, com uma loja do lado direito e um balcão do esquerdo.

Foto: Shutterstock

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Certamente, os resultados da economia – em especial, o consumo das famílias no primeiro semestre de 2022 – foram melhores do que o esperado. Isso, apesar de animar empresários e consumidores, não garante o mesmo desempenho para o segundo semestre deste ano.

Mesmo assim, os dados devem ser comemorados, pois, além do desempenho melhor, o resultado redundou em mais emprego.

Enquanto a indústria ainda “patina” e repete desempenhos negativo – isso não é um fenômeno novo e deve ser analisado com muita atenção pelas autoridades econômicas -, o setor de comércio e serviços obteve performance positiva relevante no primeiro semestre.

Em termos reais – ou seja, utilizando o faturamento deflacionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) –, o comércio cresceu pouco mais de 4% na primeira metade de 2022, enquanto o segmento de serviços registrou alta de quase 5% no período.

E daqui para a frente?

Não é razoável olhar para trás e estimar que tudo será igual no futuro. Os analistas econômicos e de mercado não apenas levam em conta o passado, mas tentam entender onde falharam nas previsões, incorporando novas hipóteses que lhes haviam escapado e descartando outras que se revelaram falsas.

Além disso, é preciso estar atento ao que se vislumbra como cenário macroeconômico para os próximos meses e refazer os cálculos. Neste momento, há sinais que indicam para um lado e outros que apontam para o oposto. Cabe calcular os efeitos líquidos esperados desses fenômenos.

Ainda no primeiro semestre, a área de serviços se recuperou, mantendo-se próxima do ponto em que estava antes da pandemia. Enquanto o varejo já havia ultrapassado a barreira pré-crise sanitária no fim de 2021, o segmento (que foi o último a retomar as atividades) acabou demorando um pouco mais.

A tendência, como já vem sendo evidenciada, é a de que os serviços continuem a crescer mais do que varejo no restante do ano, até que o dispêndio dos orçamentos das famílias convirja para o padrão anterior a 2020.

Isto é, se o varejo cresceu quando apenas alguns estabelecimentos, como supermercados e de material de construção, podiam abrir (e as pessoas estavam em quarentena), agora, a demanda por serviços está em alta e disputa o bolso do consumidor, competindo com o varejo pelas decisões de consumo da população.

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Mais do que isso, neste momento, há mais gente empregada – com e sem carteira assinada – do que no segundo semestre de 2021, o que indica que, ao menos, em primeira análise, o potencial de crescimento existe.

Por outro lado, a massa de rendimentos aumentou muito menos do que a população ocupada, em grande medida por causa da corrosão inflacionária do período.

Se há um aumento no Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 (que, certamente, potencializa o consumo de produtos básicos em especial), o Banco Central faz sucessivas elevações de juros para conter a pressão dos preços – e isso causará reflexos sobre os crediários, importantes motores de consumo dos lares.

Isso significa que existem muitos fenômenos contraditórios entre si que devem ser analisados com cautela para que se faça uma projeção razoável e isenta, ainda que sujeita a erros.

As principais expectativas a serem consideradas são: redução das pressões inflacionárias; aumento de juros, com recuo do volume de crédito concedido; melhora mais lenta do emprego; e o auxílio emergencial potencializando o consumo básico.

Há ainda um processo eleitoral que cria incertezas, mas que já está aparentemente bastante digerido pelo consumidor, acostumado com essa tradicional característica da democracia, e o cenário externo – muito longe de ser previsível.

Tudo adicionado e subtraído, é possível acreditar que o consumo será positivo no segundo semestre em relação ao mesmo período de 2021. O diferencial, porém, será o de que o setor de serviços puxará os resultados, enquanto o desempenho do comércio deve desacelerar um pouco.

Assim, o ano provavelmente terminará melhor do que o anterior no que se refere ao consumo, porém, haverá um enorme desafio pela frente.

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*As opiniões, informações e eventuais recomendações que constem dos artigos publicados pela Agência TradeMap são de inteira responsabilidade de cada um dos articulistas. Os textos não refletem necessariamente as posições do TradeMap ou de seus controladores.

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