Kadu Monguilhott

CEO da Neoway, empresa de Big Data Analytics e Inteligência Artificial pertencente ao grupo B3. Formado em economia pela Universidade da Califórnia.

O economista também possui especialização em macroeconomia e estatística. Foi subsecretário de comércio e serviço do Ministério da Economia entre 2019/2020. Sócio Consultor da Scopus Consultoria, Análise e Pesquisa.

Entre ruídos e vieses: a busca da decisão econômica mais acertada

Várias linha sinuosas brilhantes e com pontos, imitando um gráfico, sobre fundo preto.

Foto: Shutterstock

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Como a tecnologia pode ajudar a tornar decisões econômicas mais racionais? A questão é pertinente porque a economia é um híbrido muito interessante entre ciência exata e ciência humana. Embora dependa de cálculos, planilhas, gráficos e projeções matemáticas, o mercado é um organismo formado por pessoas. Logo, as decisões dos agentes econômicos não são – e nunca serão – completamente racionais, já que a ação do ser humano é influenciada por elementos culturais, psicológicos e éticos.

No debate sobre quais fatores interferem no cálculo econômico racional, o professor Daniel Kahneman, psicólogo, escritor e ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2002, faz uma distinção entre vieses e ruídos.

Por exemplo, vieses são crenças culturais, ideológicas, políticas, religiosas ou de qualquer outro tipo que influenciam as decisões de um indivíduo, uma empresa ou mesmo de um setor inteiro do mercado. É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque famílias com renda comparável no Brasil, nos Estados Unidos, no Egito ou no Japão tomam decisões diferentes com relação a alimentação, vestuário, lazer e assim por diante.

Ou seja, o contexto cultural influencia a maneira como escolhemos gastar nosso dinheiro.

O mesmo vale para um profissional ou uma empresa. Por mais justificadas que sejam, suas decisões serão sempre influenciadas por um conjunto de valores e hábitos que foge ao simples cálculo racional.

O viés, nesse sentido, é um fenômeno bastante estudado pelos especialistas e, até certo ponto, previsível, pois faz com as decisões de um conjunto de indivíduos tendam para um único lado.

Ruído

Mas o professor Kahneman chama a atenção para um outro tipo de fenômeno, o ruído, de natureza bem mais caótica do que o viés.

O ruído ocorre quando diferentes indivíduos compreendem um bloco de informações de maneira diferente, extraindo dele, portanto, conclusões também diferentes.

É o que explica porque diferentes médicos podem chegar a conclusões distintas sobre o tratamento de uma doença, ou mesmo sobre qual enfermidade acomete o paciente. Podemos perceber o mesmo quando diversos juristas podem examinar um mesmo conjunto de provas e concluir que um réu é culpado ou inocente. E o mesmo pode ocorrer quando vários entrevistadores podem contratar ou não o mesmo candidato a uma vaga de emprego.

Em nenhum desses exemplos o profissional agiu de má-fé. Tampouco estamos falando de vieses diferentes, pois as pesquisas empíricas mostram variações amplas e aleatórias.

O imponderável

E não nos enganemos. A economia e a gestão de empresas, como qualquer outra área dependente de decisões humanas, também estão repletas de ruído.

Não por acaso, analistas preveem cenários macroeconômicos tão distintos e operadores do mercado fazem apostas em setores tão díspares.

Se entendemos o princípio básico de que vieses e ruídos interferem no cálculo econômico, então a pergunta de um bilhão de dólares passa a ser: como eliminar esses fatores incômodos da equação?

Infelizmente, não há como eliminar totalmente o imponderável da economia. Mas, pela primeira vez na história, contamos com ferramentas que nos ajudam a racionalizar melhor o processo de tomada de decisão nos mais diferentes setores do mercado, contribuindo para reduzir drasticamente a influência de vieses e ruídos na gestão das empresas.

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Essa possibilidade foi aberta pela tecnologia digital, com o surgimento da área de Data Analytics e das ferramentas de Inteligência Artificial (IA).

Essas tecnologias permitem organizar e analisar um universo gigantesco de informações, identificando padrões e tendências até então invisíveis para uma equipe humana, por mais numerosa que ela seja.

Isso permite enxergar mudanças no mercado com antecedência, fazer projeções mais precisas e confiáveis ou ainda identificar problemas no modelo de gestão de uma empresa.

São tecnologias que mudam completamente os processos de monitoramento, revolucionando a área de gestão de riscos corporativos, bem como a capacidade que uma companhia tem de se planejar no longo prazo.

O uso de Data e da IA oferece ferramentas muito melhores para que os gestores orientem suas decisões de maneira racional e com base em dados (data driven). Essas novas tecnologias, que ainda têm muito o que evoluir pelos próximos anos, reduzem drasticamente o peso dos vieses e ruídos nos processos de condução de uma companhia.

O mercado sempre terá um elemento humano, sujeito ao imponderável e às variáveis de alta complexidade, conforme já demonstrado por alguns dos maiores especialistas no assunto. Porém, o Data Analytics e a IA vêm ajudando a aumentar como nunca o grau de controle, previsibilidade e racionalidade envolvido na gestão de um negócio.

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*As opiniões, informações e eventuais recomendações que constem dos artigos publicados pela Agência TradeMap são de inteira responsabilidade de cada um dos articulistas. Os textos não refletem necessariamente as posições do TradeMap ou de seus controladores.

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