A teoria de “price action”, ou comportamento dos preços, é bastante utilizada para a tomada de decisões de investimento de curto prazo. Essa vertente de estudo de ativos ficou conhecida como análise técnica ou gráfica e foi postulada em sua essência pelo jornalista e empreendedor Charles Dow.
Dow foi cofundador da Dow Jones & Company juntamente com Edward Jones e Charles Bergstresser. Paralelamente, fundou também o The Wall Street Journal e inventou o famoso Dow Jones Industrial Average como parte de sua pesquisa sobre o movimento dos mercados.
Mas por que Charles Dow é importante aqui?
Uma operação do tipo especulativa é aquela que o investidor “aposta” em uma determinada trajetória ou tendência dos preços. O famoso comprar barato e vender caro ou vender caro e recomprar mais barato.
Esse modelo de raciocínio foi exatamente o postulado por Dow em sua teoria sobre o comportamento dos preços ou “price action”. Vou citar aqui cinco desses postulados:
1. Os índices descontam tudo
Neste primeiro postulado, o jornalista ratificou a importância da existência de uma carteira de referência ampla do mercado ou índice de ações. Ele afirmava que esses indicadores têm a capacidade de reagir e incorporar imediatamente no preço as notícias, resultados contábeis e financeiros de empresas e acontecimentos inesperados, entre outros fatores de risco.
2. Os mercados se movem por tendências
Este postulado serve de guia para todos os investidores que utilizam a análise técnica, pois o fato de um determinado ativo estar em uma tendência de alta ou de queda é o principal indicador para uma decisão de compra (tendência de alta) ou venda (tendência de baixa).
Dow destaca a ideia de que existem três níveis de tendência: primária, secundária e terciária. A dita primária é a principal, ou seja, representa o movimento de mais longo prazo do mercado, de meses ou anos. As tendências secundárias são as correções e reações do mercado justamente porque nenhum ativo sobe ou cai de forma ininterrupta. Já as tendências terciárias são as correções de curtíssimo prazo, seguindo a volatilidade natural dos mercados.
3. Princípio de confirmação
Uma tendência macro de mercado precisa ser confirmada por mais de um índice amplo. Na época, o jornalista afirmava que para confirmar uma tendência é necessário que os índices Dow Jones Industrial Average (DJIA) e Dow Jones Transportation Average (DJTA) apresentem a mesma direção (ou tendência).
4. Volume convergente
Para que uma mudança de tendência seja confirmada é necessário um aumento expressivo do volume das negociações nessa direção. Dow acreditava que volumes menores são atribuídos a investidores individuais operando de forma agressiva, porém sem a capacidade de inverter definitivamente uma determinada tendência.
5. A tendência é vigente até que seja substituída por outra oposta
Como dito no postulado anterior, essa mudança tem que ser observada nos índices amplos (formados por vários ativos) e confirmada por volumes de negociação relevantes (exemplo de valor).
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Mas o que a teoria de Dow tem a ver com gestão e controle de riscos?
Essa relação é íntima, porque ao longo das décadas o mercado reconheceu a teoria de Dow como base para especular o preço de qualquer ativo ou derivativo.
Exemplo: se você compra uma ação no momento que o mercado está em tendência de baixa o seu risco é maior. A leitura é que “o mar não está para peixe” na visão dos comprados.
Isso muda de figura quando compramos um ativo enquanto o mercado inteiro está subindo.
Como isso é feito na prática?
O primeiro passo é analisar a tendência primária. Como pode ver no gráfico abaixo temos uma tendência de alta:

Vimos, no fim de março, que o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, sofreu uma reversão de tendência primária, passando de uma trajetória de baixa para uma de alta. É perceptível também que os ruídos da guerra da Ucrânia têm dificultado o avanço do índice nessa direção.
Um exemplo de estratégia gráfica é “acreditar” que, os preços terem “rompido a linha vermelha com volume” pode ser um sinal de retomada com força da tendência primária de alta. Nesse caso, a mesma teoria que se aplica para o Ibovespa serve para o preço do petróleo ou da soja.
Voltando então: o rompimento da linha vermelha pode ser considerado o sinal de entrada para uma operação comprada. Além disso, temos que fixar mais dois pontos além do sinal de entrada na operação:
STOP GAIN – Veja no gráfico abaixo que a tendência primária de alta do Ibovespa foi interrompida no patamar próximo a 130.000 pontos.

A teoria da análise gráfica considera que o mercado tem uma boa memória. Quer dizer que, se a Bolsa continuar subindo, esse movimento tende a se prolongar até a última máxima. Neste momento, os investidores certamente vão parar e “respirar” antes de continuar com o mesmo comportamento de então.
Por conta dessa crença é que, no melhor cenário, um investidor estabeleceria seu alvo o patamar de 130.000 pontos, por exemplo, pois o mercado precisaria de outras “novidades” para alçar novas altas.
O chamado “stop gain” é o alvo ou lucro máximo que pode ser mirado nessa operação.
STOP LOSS – O termo se refere a umas das atitudes mais sensatas que qualquer especulador deve tomar. Significa estabelecer um prejuízo máximo para a operação.
Isso se faz necessário porque não é sempre que o investidor acerta a tendência do mercado. Às vezes você pode acreditar na continuidade da alta, mas eis que a baixa começa. Chamamos essa situação de reversão de tendência.
No gráfico abaixo a linha amarela sinaliza este ponto de inflexão. Se os preços caírem para abaixo daquele nível, significaria que a estratégia inicial foi “desarmada” e teremos que limitar as perdas vendendo o ativo.

Naturalmente, o mercado já se tornou bastante sofisticado no uso dessas técnicas de planejamento operacional. Mesmo assim uma estratégia simples pode lhe poupar muito tempo e dinheiro principalmente usando os tipos de ordem disponíveis no TradeMap.

Essa ferramenta de stop duplo permite que você configure qualquer estratégia operacional. Saliento isso para desmistificar a ideia de que a Bolsa é apenas para quem sabe assumir riscos.
Na verdade, posso afirmar que ela é para aqueles que sabem medir e controlar seus riscos!