A Americanas (AMER3) pediu à Justiça do Rio de Janeiro que impedisse a cobrança antecipada de sua dívida e foi atendida.
A varejista afirma que a correção das inconsistências contábeis no valor de R$ 20 bilhões pode levar a alterações no capital de giro e grau de endividamento da companhia.
Diante disso, os credores estariam aptos a cobrar dívidas antecipadamente devido à quebra de acordo quanto ao nível de endividamento.
Isso, por sua vez, poderia afetar uma dívida estimada em R$ 40 bilhões pela companhia, toda ela com cláusulas (covenants) permitindo a aceleração da cobrança pelos credores.
O banco BTG Pactual (BPAC11) havia notificado que cobraria o vencimento antecipado das dívidas da Americanas, no valor de R$ 1,2 bilhão. No entanto, com a decisão judicial o banco ficou impedido de adotar estas medidas.
De acordo com decisão do juiz Paulo Assed Estefan, a Americanas terá 30 dias corridos, contados da última sexta-feira (13), para apresentar pedido de recuperação judicial.
O que achamos?
O primeiro ponto é o contraste entre o que foi dito anteriormente pelo ex-diretor-presidente, Sérgio Rial, sobre os covenants. Rial, havia dito que 92% dos contratos estavam livre de covenants, mas pelo visto a maioria está comprometida.
Os covenants são acordos de dívidas que os credores fazem para ter maiores garantias contra calotes. Portanto, ao elevar o grau de endividamento a Americanas estaria rompendo este acordo, o que permitiria aos credores cobrar as dívidas antecipadamente.
Desta forma, a empresa teria o patrimônio líquido total, que são todo o capital que os sócios têm na empresa, de R$ 14 bilhões, comprometido apenas em endividamento e ainda não seria capaz de cobrir todo montante cobrado.
A incapacidade de arcar com o valor total antecipado poderia levar a empresa à falência no ponto de vista contábil. É claro que é necessário contas mais aprofundadas para afirmar, porém este é um possível cenário.
Ao impedir credores de cobrarem antecipadamente as dívidas e dar prazo de 30 para o pedido de recuperação judicial, a Justiça pode ter dado à Americanas um suspiro. No entanto, a situação ainda é complicada para a varejista.
Como os papéis devem reagir?
As ações da varejista devem abrir em queda brusca no pregão desta segunda-feira (16). A empresa chegou acumular alta de 36% no ano, porém o jogo virou, e até sexta-feira (13) apresentava queda de 65%.