As bolsas globais sinalizam alta nesta quinta-feira, 4, após decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em manter a taxa de juros e confirmar a redução de seus estímulos gradativamente.
No continente asiático, os mercados fecharam no campo positivo, após o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, comentando que a autarquia se mantém atenta aos riscos inflacionários, mas os vê como transitórios, mantendo assim a taxa de juros inalterada e o seu programa de redução de estímulos monetários sendo feito de forma gradativa.
De acordo com o documento, o Banco Central dos Estados Unidos irá começar a reduzir, a partir de novembro, o ritmo mensal das compras em US$ 10 bilhões para Treasuries e US$ 5 bilhões para os títulos atrelados a hipotecas (MBS, na sigla em inglês).
Na mesma direção, as bolsas europeias seguem em alta. Entretanto, os investidores deverão repercutir a baixa do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, que caiu de 56,2 em setembro para 54,2 em outubro, segundo pesquisa final divulgada nesta quinta-feira pela IHS Markit.
O número final veio ligeiramente abaixo da leitura preliminar de outubro e da previsão do mercado, de 54,3 em ambos os casos.
No mesmo período, o PMI de serviços do bloco recuou de 56,4 para 54,6, vindo também abaixo do consenso do mercado. No entanto, tanto o PMI composto quanto o de serviços continuam acima da leitura de 50, que indica expansão de atividade.
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Os futuros americanos seguem o mesmo caminho de alta e renovam as suas máximas históricas, sustentados em boa parte pelos sólidos ganhos corporativos e pela decisão do Fed. Na agenda econômica de hoje, os investidores deverão acompanhar a divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego, que serão apresentados às 9h30 nos EUA, além da decisão da taxa de juros do Banco Central da Inglaterra, aguardada para hoje.
Quanto às commodities, o preço do barril do petróleo está em alta, mas as atenções continuam, já que os estoques de petróleo dos EUA aumentaram, além do progresso em direção às negociações nucleares com o Irã. Atenção especial também para a reunião de hoje da Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados (Opep+), que deverá revisar seus planos de produção. Enquanto isso, o minério de ferro apresenta alta nesta quinta, após forte queda na véspera, pressionando negativamente os papéis da Vale (VALE3) e das siderúrgicas.
No Brasil, a Câmara aprovou ontem à noite a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios, em primeiro turno, por 312 votos contra 144. A PEC ainda precisará ser aprovada por texto em um segundo turno de votação na Câmara e depois seguirá para o Senado.
Caso aprovada, abre espaço de quase R$ 100 bilhões no Orçamento de 2022 para o pagamento do Auxílio Brasil (programa social que substituirá o Bolsa Família) e outros gastos às vésperas da eleição presidencial.
Hoje ainda tem o leilão do 5G das telecomunicações, que ditará o futuro da tecnologia no país. O maior leilão realizado pela Anatel poderá movimentar algo em torno de R$ 50 bilhões e poderá deixar bem volátil as ações das empresas do setor por aqui.
A agenda econômica interna reserva a divulgação da produção industrial divulgada pelo IBGE, às 9h. Os investidores ainda deverão acompanhar a enxurrada de resultados corporativos, com a divulgação dos números do Bradesco, Minerva, Eneva, BK Brasil, BrasilAgro, Engie Brasil, JHSF, ABC Brasil e da BR Properties. Além dos resultados, os investidores deverão ficar de olho nas teleconferências das companhias que apresentaram seus resultados no fechamento do pregão de ontem.