TradeLetter Semanal | 09 – 15 Agosto 2026

Fonte: Shutterstock/tadamichi

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada pela continuidade das tensões no Estreito de Ormuz e por uma sequência de indicadores econômicos no Brasil e nos EUA. No front geopolítico, os EUA anunciaram a substituição do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que acumula mais de 250 dias de missão no Oriente Médio, após relatos de problemas de saúde mental entre tripulantes. No campo econômico americano, o CPI de julho avançou 0,1%, em linha com as expectativas, enquanto o PPI ficou estável, reforçando a percepção de desaceleração das pressões inflacionárias. No Brasil, o IPCA de julho veio acima da projeção, mas desacelerou em relação a junho, enquanto o governo federal iniciou formalmente o processo de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas norte-americanas. No campo eleitoral, três institutos divulgaram pesquisas ao longo da semana, com cenários distintos para o segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. O dólar avançou 2,61% na semana, em meio à escalada das tensões externas.


Dólar Ptax (14/08): R$ 5,2236 | Semana: +2,61% | Em agosto: +0,27% | Em 2026: -7,48% | Em 12 meses: -6,83%
Euro Ptax (14/08): R$ 6,0500 | Semana: +2,81% | Em agosto: +0,61% | Em 2026: -9,04% | Em 12 meses: -7,48%



Fechamento semanal – em %


EUA anunciam substituição de porta-aviões no Oriente Médio após relatos sobre tripulação: O governo norte-americano anunciou o envio do porta-aviões USS George Washington ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln, que acumula mais de 250 dias consecutivos de operação na região e se tornou alvo de questionamentos após relatos de problemas entre os mais de 5 mil militares a bordo. Segundo o Navy Times e o Stars and Stripes, membros da tripulação tentaram saltar ao mar, e um deles chegou a cair no oceano, sendo resgatado. A Marinha afirmou não ter registrado aumento de tentativas de suicídio a bordo, mas reconheceu dificuldades logísticas provocadas pela guerra, incluindo interrupções no fornecimento de produtos e na entrega de correspondências. Parlamentares democratas cobraram explicações do Departamento de Defesa sobre as condições da missão, citando relatos de falta de suprimentos, problemas de encanamento e deterioração da saúde mental da tripulação.

Trump afirma que declarará o Estreito de Ormuz como território dos EUA: O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou durante comício em Garden City, no estado de Nova York, que pretende declarar o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos assim que o Irã for derrotado. A declaração, feita com tom ambíguo, foi interpretada por especialistas como violação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que garante a navios de qualquer país o direito de passagem por estreitos internacionais e proíbe tomadas unilaterais de soberania. O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que o Irã não se sente intimidado e reiterou que o estreito só será aberto ou fechado sob a autoridade de Teerã.

Ataques reduzem tráfego no Estreito de Ormuz e EUA endurecem bloqueio: O tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz caiu ao menor nível desde o início do conflito, em função da intensificação dos ataques iranianos a navios comerciais e da ampliação do bloqueio naval imposto pelos EUA. Washington anunciou o endurecimento das medidas de bloqueio contra portos iranianos, com o objetivo de pressionar Teerã a aceitar uma rota de navegação sem controle iraniano sobre a passagem.

Brasil inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA: O governo federal anunciou a abertura formal do processo para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre exportações brasileiras. O procedimento foi iniciado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), com o Ministério das Relações Exteriores notificando os EUA e solicitando consultas diplomáticas. A abertura do processo não implica adoção imediata de contramedidas, mas autoriza o Brasil a impor tributos, restringir importações ou encerrar isenções tarifárias caso as tarifas sejam consideradas injustificadas. O governo reiterou que seguirá priorizando o diálogo e a diversificação de parcerias comerciais.


CPI dos EUA avança 0,1% em julho, em linha com as expectativas: O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,1% em julho, em linha com a projeção do mercado, após ter recuado 0,4% em junho. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês, também dentro do esperado. Na comparação anual, o CPI cheio desacelerou para 3,4%, ante 3,5% em junho, enquanto o núcleo avançou 2,5% em 12 meses. O item habitação respondeu por cerca de dois terços da alta mensal do índice cheio, enquanto o índice de energia recuou 1,5% no mês.

PPI dos EUA fica estável em julho, abaixo da projeção: O Índice de Preços ao Produtor dos Estados Unidos ficou estável em julho, com variação de 0,0%, resultado abaixo da projeção de alta de 0,2%. Na comparação anual, o índice avançou 4,7%, também aquém da expectativa de 4,9%. A alta nos preços de serviços e construção compensou a queda de 0,7% nos preços de bens, pressionados pelo recuo de 3,1% em energia, com destaque para a queda de 5,7% na gasolina.

IPCA de julho avança acima da projeção, mas desacelera frente a junho: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% em julho, acima da projeção de 0,03%, mas desacelerando frente aos 0,16% de junho. No acumulado em 12 meses, o indicador avançou para 4,44%, superando a expectativa de 4,40%, ainda que abaixo dos 4,64% registrados no período anterior. Habitação foi o grupo de maior impacto, puxado por reajustes de energia elétrica em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, enquanto Alimentação e Bebidas recuou 0,67%, com forte queda do tomate.


Eleições 2026

Nexus/BTG mostra Lula ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno: Levantamento do Nexus/BTG aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto no cenário estimulado do primeiro turno, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL), distância de 5 pontos, superior aos 4 pontos registrados na rodada anterior do instituto. No segundo turno, os dois aparecem em empate técnico, com Lula somando 47% e Flávio Bolsonaro, 44%. A pesquisa ouviu 2.001 eleitores entre 7 e 9 de agosto e está registrada no TSE sob o protocolo BR-08428/2026.

Futura/Apex mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no segundo turno: Levantamento do Futura/Apex aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46,5% das intenções de voto no segundo turno, contra 44,0% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de 2,5 pontos fica dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Na pesquisa estimulada, Lula lidera com 36,3%, contra 32,7% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 3 e 7 de agosto e está registrada no TSE sob o protocolo BR-08109/2026.

PoderData/Aya mostra Lula e Flávio Bolsonaro separados por apenas 1 ponto no segundo turno: Levantamento do PoderData/Aya aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico no segundo turno, com 46% contra 45%, diferença de 1 ponto percentual dentro da margem de erro de 2 pontos. É a menor distância já registrada pelo instituto entre os dois candidatos. Na pesquisa estimulada, Lula lidera com 41%, contra 35% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa ouviu 2.400 eleitores por telefone entre 9 e 12 de agosto e está registrada no TSE sob o protocolo BR-06868/2026.


Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas


Maiores Baixas 


Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Embraer (EMBJ3)

Preço de Fechamento (14/08/2026): R$ 99,02 | Variação Semanal: +7,03% – A valorização foi impulsionada pela divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão, alta de 25,1% na comparação anual, e receita recorde de R$ 11,3 bilhões para o período. A companhia também elevou as projeções de margem EBIT ajustada e de fluxo de caixa livre para 2026, reforçando o otimismo dos investidores em relação ao desempenho da empresa.

Pior Desempenho: Hapvida (HAPV3)

Preço de Fechamento (14/08/2026): R$ 6,73 | Variação Semanal: -37,51% – A queda foi desencadeada pela divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, considerados fracos pelo mercado. O Ebitda ajustado caiu 28% na comparação anual, para R$ 504 milhões, com margem recuando para 6,3%, enquanto o lucro líquido ajustado ficou em apenas R$ 13 milhões, quase 90% abaixo das estimativas. A sinistralidade caixa atingiu 75,2%, avanço de 3 pontos percentuais frente ao trimestre anterior, e as provisões cíveis brutas somaram R$ 324 milhões, alta de 97% na comparação anual. O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 855 milhões após despesas financeiras. O pregão de quinta-feira (13) concentrou a maior parte das perdas, com queda de 33,09%, o pior desempenho diário do papel desde novembro de 2025, quando as ações já haviam desabado após os resultados do terceiro trimestre daquele ano.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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