Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana 

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

A primeira semana de junho foi marcada por atenções voltadas ao cenário externo e à divulgação de indicadores econômicos relevantes nos Estados Unidos. O governo norte-americano anunciou que poderá impor uma tarifa adicional de 25% sobre determinadas importações brasileiras, sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais. 

No campo macroeconômico, os investidores acompanharam dados que reforçaram a resiliência da economia dos EUA. O relatório JOLTS mostrou que o número de vagas abertas avançou para 7,618 milhões em abril de 2026, acima da expectativa de mercado, que projetava 6,860 milhões. Já o Payroll apontou a criação de 172 mil vagas de trabalho não agrícolas em maio, superando com folga as estimativas. O resultado reforçou a percepção de solidez do mercado de trabalho norte-americano, acompanhado pela manutenção da taxa de desemprego em 4,3%. 

Maiores altas 

Copasa (CSMG3) liderou os ganhos da semana, com valorização de 7,85%. O movimento ocorreu após notícias de que a Equatorial (EQTL3) apresentou uma nova proposta para disputar a posição de sócia de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais. O investidor estratégico deverá assumir uma participação de 30% na companhia. A exclusão do consórcio liderado pela Aegea do processo foi recebida como uma surpresa pelo mercado, aumentando as expectativas de que a Equatorial seja declarada vencedora desta etapa da privatização. As ações da Equatorial também encerraram a semana em alta de 1,89%. 

Brava Energia (BRAV3) avançou 3,70% na semana. A companhia reportou produção média diária de 80.920 barris de óleo equivalente (boe) em maio, alta de 1,5% em relação aos 79.742 boe/d registrados em abril. Segundo a empresa, o crescimento foi impulsionado pela retomada gradual das operações no Polo Fazenda Belém, que haviam sido interrompidas após auditoria conduzida pela ANP. As instalações vêm sendo reativadas progressivamente desde a paralisação ocorrida em outubro de 2025. 

Metalúrgica Gerdau (GOAU4) acumulou valorização de 3,67%. O desempenho refletiu mudanças nas tarifas da Seção 232 dos Estados Unidos para produtos derivados de aço e alumínio. O presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma proclamação reduzindo de 25% para 15% as tarifas incidentes sobre determinados produtos manufaturados, incluindo equipamentos agrícolas e sistemas de climatização residencial, medida vista como positiva para empresas ligadas ao setor siderúrgico. 

Maiores quedas 

Braskem (BRKM5) liderou as perdas da semana, com recuo de 16,06%. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a petroquímica negocia com credores a possibilidade de iniciar um processo de recuperação extrajudicial antes dos vencimentos de dívidas previstos para julho. A estratégia busca viabilizar uma reestruturação financeira fora de uma recuperação judicial tradicional. A companhia ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto. De acordo com as informações, a recuperação poderá ser formalizada após a obtenção do apoio de pelo menos um terço dos credores. O plano prevê um período de até 90 dias para suspensão das obrigações financeiras enquanto uma proposta de pagamento é negociada com bancos e detentores de títulos de dívida. 

A Cyrela (CYRE3) recuou 11,94% na semana. Apesar de resultados operacionais robustos, a companhia registrou desaceleração em alguns indicadores de vendas. No quarto trimestre de 2025, a receita líquida atingiu R$ 3,23 bilhões, crescimento de 29% na comparação anual, enquanto o lucro líquido avançou 37%, para R$ 682 milhões. Por outro lado, os lançamentos totalizaram VGV de R$ 4,53 bilhões, queda de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas contratadas somaram R$ 3,33 bilhões, retração de 32%, enquanto a velocidade de vendas acumulada em 12 meses ficou em 45,2%. 

Azzas 2154 (AZZA3) encerrou a semana com queda de 11,29%. No quarto trimestre de 2025, a companhia reportou receita líquida de R$ 4,13 bilhões, recuo de 2% na comparação anual. O Ebitda somou R$ 425 milhões, queda de 4%, enquanto o lucro líquido atingiu R$ 168 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando apenas as marcas remanescentes no portfólio, a receita apresentou crescimento de 1%, evidenciando um desempenho mais resiliente após o processo de reorganização das operações. 
 
A semana foi marcada por dados econômicos fortes nos Estados Unidos e por movimentações corporativas relevantes no mercado brasileiro. O cenário reforçou a atenção dos investidores aos indicadores macroeconômicos e aos eventos específicos das companhias, que seguiram influenciando o desempenho das ações. 

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