BRF (BRFS3) tem melhor resultado do ano, mas ainda amarga prejuízo; veja possível reação do mercado

Companhia registrou melhoria no desempenho operacional devido ao aumento dos preços e gestão de custos

Foto: Shutterstock/rafapress

A BRF (BRFS3), donas de marca como Sadia e Perdigão, registrou prejuízo líquido de R$ 137 milhões no terceiro trimestre de acordo, de acordo com balanço divulgado na noite de quarta-feira (9).

Apesar da perda, o resultado demonstrou uma recuperação em relação ao prejuízo de R$ 271 milhões apresentado no mesmo período do ano passado.

Ainda assim, o montante não atendeu às expectativas do mercado. O Itaú BBA e Genial Investimentos já esperavam que a companhia mostrasse lucro. As estimativas das instituições eram de lucro de R$ 125 milhões e de R$ 12 milhões, respectivamente.

No período, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da BRF avançou 0,5% em relação ao mesmo período de 2021, para R$ 1,3 bilhão. Neste caso, ficou em linha com a expectativa tanto do Itaú, quanto da Genial.

Por fim a receita líquida avançou 13,4% na comparação anual, devido ao aumento de 11,3% dos preços médios.

O que achamos?

Uma empresa que não traz lucro sempre é um ponto de atenção para o investidor, já que o retorno para o acionista vem de uma parte desse ganho. Neste ano, a BRF reportou prejuízo em todos os três trimestres.

Essas perdas, no entanto, têm sido cada vez menores, o que demonstra que a empresa a empresa tem melhorado alguns pontos, como a capacidade de repassar os custos para o consumidor. Isso faz com que o crescimento da receita seja maior proporcionalmente aos custos, o que promove a ampliação de margens.

No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, a margem bruta da BRF foi de 9,2%; no seguinte, de 15,3%; e no último,18,5%. Apesar do aavanço, o indicador ainda permanece abaixo da média, de 22,6%, dos últimos três anos (2019, 2020 e 2021).

Por outro lado, a troca de comando da empresa parece já ter surtido efeito, uma vez que houve melhor no desempenho operacional. O CEO, Miguel Gularte, ex-presidente-executivo da Marfrig, chegou na empresa há 45 dias.

Um novo CEO com experiência no negócio pode otimizar o processo de melhoria, ou seja, não é preciso tempo para o novo comandante entender como funciona a área. Além disso, a bagagem ajuda na tomada de decisão, que pode gerar resultados no curto prazo.

O que chamou a atenção, porém, foi a queda de 47% no Ebitda no Brasil, que atingiu R$ 458 milhões. Segundo a empresa, o mercado ainda é desafiador, uma vez que o consumo brasileiro tem sido prejudicado pela menor renda das famílias e a inflação de alimentos, que acumula atle de 11,4% no ano até setembro.

Como as ações devem reagir?

Para o investidor o fato de a empresa não gerar lucro pode gerar pessimismo, mas a melhoria operacional e do desempenho em relação aos trimestres anteriores criam uma certa esperança.

As ações, portanto, devem reagir com neutralidade, possivelmente uma leve queda. No acumulado do ano, os papéis da BRF derretem 45,8%.

*O Pré-Trade é publicado diariamente pela Agência TradeMap, sempre antes da abertura da Bolsa, e se propõe a indicar como investidores podem reagir no pregão em reação a alguma notícia ou fato novo que tenha relação com uma ação específica em sua carteira. O conteúdo se destina a fins informativos e não deve ser interpretado como nenhum tipo de recomendação de investimentos.

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