As ações da Eneva (ENEV3) estão entre as principais quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (3), com investidores repercutindo o pedido de renúncia do CEO, Pedro Zinner, divulgado pela empresa na noite de terça-feira (1º). Segundo a nota, Zinner, que ocupa o cargo há quase seis anos, deixa a companhia para se dedicar a novos desafios profissionais.
Por volta das 13h10, os papéis da empresa recuavam 4,32%, negociados a R$ 13,51. Mais cedo, as ações haviam se desvalorizado ainda mais, em torno de 6%. O desempenho negativo vai na mesma direção do Ibovespa, que na mesma hora registrava queda de 0,37%, aos 116.492 pontos, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.
A repercussão negativa era esperada pelos analistas do Itaú BBA, diante das dúvidas dos investidores sobre os motivos do pedido de saída do CEO. Segundo o banco, Zinner teve um papel crucial na transformação da Eneva e “nas decisões de alocação de capital que criaram enorme valor para seus acionistas”.
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Eneva (ENEV3): CEO renuncia após quase seis anos no cargo
“A Eneva possui um pacote de remuneração bastante agressivo, com alta remuneração variável e incentivos de longo prazo que incluem opções de ações”, informaram os analistas. “A ação teve um desempenho incrível nos últimos anos, tornando o Sr. Zinner um dos CEOs mais bem pagos no Brasil”.
Apesar do cenário negativo, o banco manteve o preço-alvo dos papéis da ENEV3 em R$ 16,80, alta de 19% em relação ao fechamento de terça-feira.
O Itaú BBA elencou diferentes cenários para analisar a saída do CEO. Uma das opções seria a descrença de Zinner nas perspectivas de longo prazo da empresa, o que tornaria a sua remuneração “menos atraente”. Em outro ponto de vista, os analistas afirmaram que o movimento pode apenas refletir o desejo pessoal do CEO em buscar novos desafios, sem relação direta com o futuro da empresa.
Oportunidades no longo prazo
Apesar da reação negativa, os analistas afirmaram que a queda das ações abre “uma grande oportunidade” para os investidores que miram o longo prazo. “Sobre os últimos dois anos, a Eneva sempre negociou acima do valor de seus ativos existentes, às vezes com muito crescimento futuro implícito no preço das ações”, informaram.
O banco, porém, faz um adendo sobre a queda dos papéis desde a realização do último leilão térmico, no dia 30 de setembro, que fez as ações da Eneva serem negociadas abaixo do valor dos seus ativos.
“Em nossa visão, o leilão foi muito positivo para a Eneva, mas a ação reagiu negativamente porque o resultado ficou aquém das altas expectativas orientadas pela empresa”, afirmaram os analistas.
Já para quem olha para prazos mais curtos, os papéis da empresa não são atrativos pela falta de catalisadores significativos nos próximos meses, escreveram os analistas.