Após a divulgação do balanço do terceiro trimestre, o CEO do Santander Brasil, Mario Leão, afirmou nesta quarta-feira (26) que não espera uma “deterioração adicional” da taxa de inadimplência do banco, que ficou em 3% no período, levemente acima dos 2,9% anotados no trimestre anterior.
“Nossos índices de inadimplência estão praticamente planos. Estamos há três trimestres basicamente no mesmo patamar”, disse o executivo durante coletiva de imprensa para explicar os resultados.
Segundo ele, a expectativa de estabilização se soma a uma melhor qualidade da carteira de crédito do banco, na qual os empréstimos concedidos mais recentemente têm registrado menos atrasos do que os mais antigos.
De acordo com apresentação do Santander sobre o resultado do trimestre, as “safras antigas” de crédito do banco possuem uma taxa de inadimplência de 4,5%, enquanto as “safras novas” contam com um índice, de 1,5%.
As safras novas consideram os empréstimos concedidos desde janeiro deste ano, quando o banco passa a ter maior seletividade nas concessões.
Com o aumento dos juros no Brasil, o que aumenta o risco de calote, o banco pisou no freio nas concessões. “Neste ano vamos crescer menos o portfólio de crédito por decisão nossa mesmo. Não é por falta de demanda, que continua. É que estamos mais seletivos”, afirmou.
Para ele, a nova postura deve se traduzir em uma volta do crescimento do banco em 2023, “bastante sólida e com qualidade”.
No terceiro trimestre, o lucro líquido do Santander caiu 23,5% em relação a igual período do ano passado, para R$ 3,1 bilhões. E o retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) recuou para 15,6%, de 20,8% registrado no intervalo de julho a setembro do ano passado.
Quanto às carteiras renegociadas, que cresceram 11,7% no trimestre, para R$ 35,8 bilhões, o vice-presidente financeiro do Santander, Ángel Santodomingo, disse na coletiva que o avanço tem sido intencional e que a postura deve seguir a mesma no quarto trimestre. “Se os clientes tiverem necessidade, estaremos lá.”
no trimestre anterior.
Reação do mercado
O resultado do trimestre ficou abaixo da expectativa de analistas do mercado e, na abertura do pregão, os investidores reagiram com mau humor. Às 11h25, as ações do banco lideravam as perdas do Ibovespa, com recuo de 5,72%, a R$ 28,33.
Segundo o CEO do Santander, os números mais fracos do banco são consequência da atuação mais conservadora da instituição no crédito, que tem sido anunciada ao mercado desde o início do ano.
Questionado, então, sobre o motivo pelo qual a ação desaba na Bolsa, Leão deu a sua visão: “acredito que os investidores e analistas esperavam que tivéssemos conseguido compensar os efeitos [negativos esperados] de forma expressiva e, portanto, o lucro não caísse como [caiu]”.
Margem com mercado negativa até 2023
O presidente do banco também disse que a margem financeira com o mercado, que seguiu negativa no terceiro trimestre, deve continuar assim “durante boa parte do ano que vem” e permanecerá sendo um “detrator de valor.”
A margem financeira com o mercado é um saldo do quanto o banco ganha e perde com juros em operações com outras instituições financeiras para captar e emprestar dinheiro.
Como os juros básicos subiram em velocidade alta ao longo dos últimos dois anos, saindo de 2% em março de 2021 para 13,75% no patamar atual, fica mais caro para o banco captar recursos. No terceiro trimestre, a margem com o mercado ficou negativa em R$ 1,5 bilhão, o mesmo patamar do segundo trimestre.
“Quando o ciclo de juros era de queda, nós nos beneficiamos largamente, mas agora isso só vai acontecer a partir de 2024. Em momentos de alta brusca, isso nos traz um custo”, afirmou o executivo.
Eleições
O presidente do banco também comentou as eleições presidenciais e disse que “não há uma preocupação particular” em relação a esse tema. “Não acredito que a economia vá melhorar ou piorar a depender do resultado da eleição.”
Ele destacou que o Banco Central (BC) hoje atua de forma independente e que há uma expectativa de redução da taxa de juros a partir do ano que vem.