Com a aproximação do segundo turno das eleições, e em uma semana com poucas divulgações de peso no Brasil, os mercados estão acompanhando mais de perto o resultado de pesquisas eleitorais. Ontem, o Datafolha apontou uma redução da diferença entre os dois principais candidatos à presidência, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo os dados, ambos estão em empate técnico no limite da margem de erro do levantamento, com Bolsonaro subindo 1 ponto percentual, a 45% das intenções de votos, enquanto que Lula manteve 49% da pesquisa anterior.
Em votos válidos, que exclui nulos, brancos e indecisos, Lula teria 52% se a eleição fosse hoje, e Bolsonaro 48%. A redução da diferença foi comemorada pelos bolsonaristas, com integrantes do núcleo duro da campanha atribuindo o movimento aos efeitos do Auxílio Brasil e da queda de preços recente, segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Analistas políticos lembraram que o movimento também tem a ver com a liberação do empréstimo consignado por beneficiários do Auxílio Brasil – a Caixa emprestou R$ 1,8 bilhão na modalidade em apenas uma semana de operação da linha.
Apesar disso, a avaliação é que uma virada de Bolsonaro seria difícil, já que o presidente teria que conquistar 6 milhões de votos até o pleito, que acontece daqui a 11 dias, em 30 de outubro.
IGP-M prévio e balanço do Assaí (ASAI3)
Além da repercussão do levantamento, que pode levar o mercado a elevar apostas em empresas estatais, cujas ações se beneficiariam de uma eventual vitória de Bolsonaro, os investidores repercutem os dados da segunda prévia do IGP-M, da FGV.
Na primeira divulgação de outubro, os dados apresentaram nova deflação, e economistas apontaram a chance de o indicador apresentar nova queda no mês.
O mercado acompanha também os resultados do terceiro trimestre do Assaí (ASAI3), que serão informados após o fechamento do mercado.
Preocupação com a inflação global
Lá fora, os índices futuros americanos operam em alta, após a queda das bolsas à vista ontem, a primeira após dois dias de alta. Por volta das 8h30, o Dow Jones subia 0,56%, o S&P 500 tinha alta de 0,38% e o Nasdaq ganhava 0,16%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, estava estável.
Os mercados internacionais reagiram mal ontem aos dados que mostraram que a inflação na Zona do Euro continua elevada, avançando mais 1,2% em setembro. No ano, o CPI (índice de preços ao consumidor) do bloco comercial cresceu 9,9%, um pouco abaixo do mês anterior, que apontou para uma alta de preços de 10%.
O receio também é de que uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve possa desacelerar ainda mais a atividade econômica mundial.
A ata da última reunião do banco central americano falou em crescimento “modesto” da economia americana, o que poderia levar a um ritmo menos agressivo de alta de juros no futuro, mas isso não foi suficiente para mudar a direção das bolsas ontem.
Saiba mais:
Livro Bege fala em crescimento “modesto” da economia dos EUA; bolsas reduzem perdas
Por lá, os investidores acompanham o número atualizado dos pedidos de auxílio desemprego pelos americanos, que serão informados às 9h30 pelo DoL (departamento de trabalho dos EUA).
Empresas como a American Airlines e AT&T também divulgam seus resultados hoje.
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